O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a OTAN neste domingo (26) e afirmou que não está satisfeito com a aliança após a ausência de apoio à operação militar norte-americana contra o Irã.
Em entrevista à Fox News, Trump declarou que tentou obter participação de aliados europeus, mas recebeu respostas negativas. "A OTAN não esteve lá por nós. E eu perguntava a eles: 'Querem se juntar a nós?' E me diziam: 'Senhor, não queremos nos envolver'. Sim, disseram que não queriam se envolver", afirmou.
O presidente dos Estados Unidos também mencionou o Reino Unido ao relatar conversas sobre apoio naval. "Sabem, o Reino Unido respondeu: 'Oh, não, enviaremos navios assim que a guerra terminar'. E isso não está certo. Isso não está certo. Simplesmente não podemos permitir isso. Então, não estamos satisfeitos", disse.
Trump voltou a questionar o papel da aliança atlântica e afirmou que Washington sustentou o bloco durante anos. "Não estamos satisfeitos com a OTAN. A OTAN não nos serviu bem. Temos servido a eles durante muitos anos, gastando bilhões de dólares. E quando precisávamos de um pouco de ajuda, não estavam lá. Então, temos que nos lembrar disso", concluiu.
A ofensiva contra o Irã, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel no fim de fevereiro, aprofundou divergências entre Washington e governos europeus.
Após contra-ataques iranianos e o bloqueio do estreito de Ormuz, Trump criticou países da OTAN, entre eles Espanha e Reino Unido, por recusarem o uso de bases militares e condicionarem ajuda para desbloquear a rota marítima ao fim dos combates.
Em declarações públicas, dirigentes europeus mantiveram posição semelhante. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que "não é sua guerra".
A ministra britânica das Finanças, Rachel Reeves, classificou a decisão de Trump como uma "loucura". Já David Lammy considerou ameaças do presidente norte-americano como "insignificantes e mesquinhas".
Na França, Emmanuel Macron classificou os ataques israelense-estadunidenses como violação do direito internacional. Na Espanha, Pedro Sánchez descreveu o conflito como "ilegal, injustificado e perigoso".
Nos últimos meses, Trump endureceu o discurso contra a aliança transatlântica. Em declarações anteriores, chamou a OTAN de "tigre de papel", afirmou que o bloco "não ajudou em nada" e criticou aliados por recusarem o uso de infraestruturas estratégicas, como pistas de aterrissagem.
As críticas aumentaram em abril quando a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, citou diretamente o presidente ao afirmar que os aliados do bloco militar "foram postos à prova e fracassaram". Em outra ocasião, Trump chegou a insinuar que os Estados Unidos poderiam abandonar a aliança.