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Europa elabora plano de funcionamento da OTAN caso Trump se retire - WSJ

Líderes europeus pretendem assumir a maior parte das responsabilidades de gestão da defesa do continente ainda no âmbito da Aliança.
Europa elabora plano de funcionamento da OTAN caso Trump se retire - WSJGettyimages.ru / asbe

A Europa está acelerando a elaboração de um plano operacional para a OTAN e a defesa europeia caso Donald Trump retire os Estados Unidos da aliança militar, segundo informou o The Wall Street Journal na terça-feira (14), citando fontes.

Autoridades europeias estão atualmente planejando criar uma chamada "OTAN europeia", o que fortaleceria o papel do continente na gestão da Aliança, especialmente por meio de uma maior participação dos europeus em funções de comando e controle e da complementação dos recursos militares americanos no continente. As fontes indicam que esses planos estão sendo traçados informalmente durante conversas e reuniões no âmbito das cúpulas da OTAN, e que não pretendem competir com o bloco atual.

A implementação acelerada de projetos nesse sentido, há muito tempo debatidos, tornou-se possível depois que a Alemanha mudou sua postura a esse respeito e decidiu que é necessário fortalecer a independência da Europa em matéria de segurança, tirando o foco dos EUA como principal garantidor da segurança europeia. Além disso, as discussões ocorrem em um contexto de crescentes desacordos entre Trump e os líderes europeus, que se recusaram a apoiar a campanha americana contra o Irã.

O que os europeus pretendem fazer?

O principal objetivo que os europeus estabeleceram é assumir a maior parte da responsabilidade pela direção da defesa do continente, sempre no âmbito da OTAN. Até o momento, toda a estrutura da aliança gira em torno da liderança americana, praticamente em todos os níveis.

Foi o que afirmou, entre outros, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius. "Nós, europeus, devemos assumir uma maior responsabilidade pela nossa defesa, e é isso que estamos fazendo", afirmou. "A OTAN deve ser mais europeia para continuar sendo transatlântica", acrescentou.

Nesta fase, os líderes europeus começaram a abordar questões práticas como, especificamente, "quem comandará a defesa antiaérea e antimísseis da OTAN, os corredores de reforço para a Polônia e os países bálticos, as redes logísticas e as grandes manobras regionais", caso os oficiais americanos se retirem, informou o veículo de comunicação. Os oficiais também assinalaram que está sendo debatida a reintrodução do serviço militar obrigatório nos países da região.

Além dos postos de comando, também se debate a necessidade de acelerar a produção de equipamento bélico na Europa, especialmente em áreas nas quais esses países antes dependem de Washington, como na guerra naval, as capacidades espaciais e de inteligência. Outra questão fundamental que os europeus buscam resolver é a dissuasão nuclear, o que significa que a França e o Reino Unido, as duas potências nucleares da região, podem ter que assumir um papel mais proeminente na defesa do continente.

Crise no bloco

O plano europeu é discutido em meio às repetidas críticas à OTAN por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, que descreveu a Aliança Atlântica como um "tigre de papel", questionando sua capacidade real. Em uma ocasião, ele chegou a insinuar que Washington poderia abandonar o bloco.

Em 9 de abril, Trump descreveu a OTAN como um aliado "decepcionante" diante da oposição de alguns países membros à agressão contra o Irã. "Nenhuma dessas pessoas, incluindo nossa muito decepcionante OTAN, não entende nada a menos que seja pressionada!", escreveu o presidente dos Estados Unidos no Truth Social, sem dar mais explicações.

Desde o início do seu segundo mandato, Trump tem aumentado a pressão sobre o bloco militar, seja insistindo em gastos maiores com defesa ou exigindo apoio para atacar o Irã.