
Papa condena pena de morte e apoia campanha por abolição nos EUA

O Papa Leão XIV voltou a condenar a pena de morte e manifestou apoio a campanhas pela abolição dessa prática nos Estados Unidos e no restante do mundo. A declaração foi feita em mensagem de vídeo divulgada sexta-feira (24), durante evento que marcou os 15 anos do fim da pena capital no estado de Illinois.
A cerimônia foi realizada pela Universidade DePaul, em Chicago, com participação da irmã Helen Prejean, conhecida ativista contra execuções. O encontro reuniu relatos pessoais, apresentações musicais e reflexões sobre o tema.
No início da mensagem, Leão XIV recordou discurso feito em janeiro ao Corpo Diplomático junto à Santa Sé.

"A Igreja Católica sempre ensinou que toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte natural, é sagrada e merece ser protegida. De fato, o direito à vida é o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos. Por isso, somente quando uma sociedade tutela a sacralidade da vida humana pode florescer e prosperar".
O pontífice afirmou ainda que a dignidade humana permanece mesmo após crimes graves. Segundo ele, sistemas de detenção podem proteger a sociedade sem retirar dos condenados a possibilidade de mudança pessoal.
Leão XIV também citou a posição mantida por Papa Francisco e por seus predecessores recentes, segundo a qual é possível assegurar o bem comum e atender às exigências da justiça sem recorrer à pena capital.
"A Igreja ensina que 'a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa'", pontuou.
"Assim, eu me uno a vocês para celebrar a decisão tomada em 2011 pelo governador de Illinois e ofereço o meu apoio àqueles que lutam pela abolição da pena de morte nos Estados Unidos da América e em todo o mundo. Rezo para que os seus esforços levem a um maior reconhecimento da dignidade de cada pessoa e inspirem outros a trabalhar pela mesma causa justa".
Illinois aboliu a pena de morte em março de 2011, tornando-se o 16º estado norte-americano a encerrar a prática. Segundo dados citados pelo Vatican News, 23 dos 50 estados dos Estados Unidos não preveem atualmente esse tipo de punição.
