
Irã revela condições para participar de negociações com EUA

Ainda não foi tomada uma decisão definitiva sobre a participação ou não do Irã nas negociações com os Estados Unidos no Paquistão, segundo declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, na terça-feira (21).
"O motivo não é indecisão; o motivo são as mensagens contraditórias, os comportamentos contraditórios e as ações inaceitáveis da parte americana", afirmou o porta-voz, citado pela mídia iraniana.
Ele citou como exemplo dessa inconsistência as violações do cessar-fogo por parte de Washington, que incluem o bloqueio naval aos portos iranianos. "Desde que as negociações sejam orientadas para resultados, o Irã decidirá sobre sua participação", esclareceu Baghaei.

Relatos contraditórios
As declarações ocorrem em meio a relatos contraditórios sobre os planos dos EUA e do Irã para a segunda rodada de negociações no Paquistão.
Assim, a CNN informou que o diálogo será realizado na manhã de quarta-feira (22) e que as delegações serão lideradas pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Enquanto isso, outras fontes negaram essa informação. Paralelamente, a Reuters afirma que o destino das negociações está incerto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (21) que Teerã enviaria negociadores a Islamabad: "Eu disse que eles iriam enviá-los. Eles não têm outra escolha a não ser enviá-los".
"Novas cartas no campo de batalha"
- No último dia 7 de abril, os EUA e o Irã firmaram uma trégua de duas semanas e concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
- As negociações são conduzidas em Islamabad, capital do Paquistão. A primeira rodada de tratativas, entretanto, terminou sem o resultado esperado. Nesse contexto, Trump atribuiu o fracasso à parte iraniana que, segundo ele, se recusou a renunciar às suas ambições nucleares" e decidiu bloquear o estreito de Ormuz.
- Em uma nova estratégia, o governo Trump aplica desde 13 de abril um bloqueio total "a navios de todas as nações que entrarem ou saírem dos portos e zonas costeiras iranianas".
- Após reabrirem o Estreito de Ormuz para navios comerciais na última sexta-feira (17), as autoridades iranianas restabeleceram o controle militar da passagem no dia seguinte, alegando repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA sob o pretexto do bloqueio naval.
- A Guarda Revolucionária iraniana declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington levante completamente o bloqueio naval. "Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e o navio infrator será atacado", sublinhou.
