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'Sucesso' de bloqueio naval e 'mudança de regime' obrigarão Irã a negociar, alega Trump

"Vamos chegar a um grande acordo. Eles não têm escolha", declarou o presidente dos EUA.
'Sucesso' de bloqueio naval e 'mudança de regime' obrigarão Irã a negociar, alega TrumpGettyimages.ru / Smith Collection / Gado

Os Estados Unidos estão em posição muito sólida em relação ao Irã no âmbito das negociações, afirmou o presidente norte-americano, Donald Trump, à emissora CNBC.

"Vamos chegar a um grande acordo. Eles não têm escolha. Eliminamos a Marinha deles, eliminamos a Força Aérea deles, eliminamos os líderes deles", declarou.

Trump observou que os novos líderes do Irã "são muito mais racionais", o que representaria "uma mudança de regime". Desde o início da campanha militar, ataques dos EUA e de Israel mataram diversos dirigentes do país, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, e o comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour

A posição de líder supremo foi ocupada pelo segundo filho do falecido aiatolá, Mojtaba Khamenei, após sua morte. Larijani foi sucedido por Mohammad Zolghadr na Segurança Nacional e Pakpour pelo major-general Ahmed Vahidi na chefia da Guarda Revolucionária. Trump, contudo, não esclareceu a quem se referia em sua avaliação, contrastada por reiteradas promessas de vingança de tais figuras diante do "sangue dos mártires" derramado pela agressão americano-israelense.

Tratativas sob bloqueio

O presidente americano destacou que o bloqueio naval dos portos iranianos imposto pelos EUA "tem sido um enorme sucesso".

Apontando para a anterior sinalização de abertura do Estreito de Ormuz por parte das autoridades do Irã na sexta-feira (17), já revertida no sábado (18), Trump alegou que sua própria posição foi decisiva na manutenção do bloqueio. "Eu disse a eles que não, que não iríamos abrir o Estreito […] Temos controle total do Estreito, para que saibam, apesar de todas as notícias falsas que circulam por aí", afirmou o presidente.

Ele lembrou ainda que o governo do Irã havia sugerido que não enviaria negociadores à capital paquistanesa, Islamabad, em face de uma nova rodada de negociações com a delegação americana, liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, às vésperas do prazo do cessar-fogo.

"Eu disse que eles iriam enviá-los. Eles não têm outra escolha a não ser enviá-los", concluiu Trump. Até o momento, as autoridades iranianas não sinalizaram que participarão das negociações.

"Novas cartas no campo de batalha"

  • Trump ameaçou retomar os bombardeios caso o cessar-fogo com o Irã expirasse nesta terça-feira (21) sem um acordo. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que Teerã está preparada "para mostrar novas cartas no campo de batalha" e que não aceitará negociações "sob a ameaça de violência".
  • No último dia 7 de abril, os EUA e o Irã firmaram uma trégua de duas semanas e concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
  • As negociações são conduzidas em Islamabad, capital do Paquistão. A primeira rodada de tratativas, entretanto, terminou sem o resultado esperado. Nesse contexto, Trump atribuiu o fracasso à parte iraniana que, segundo ele, se recusou a renunciar às suas ambições nucleares" e decidiu bloquear o estreito de Ormuz.
  • Em uma nova estratégia, o governo Trump aplica desde 13 de abril um bloqueio total "a navios de todas as nações que entrarem ou saírem dos portos e zonas costeiras iranianas".
  • Após reabrirem o Estreito de Ormuz para navios comerciais na última sexta-feira (17), as autoridades iranianas restabeleceram o controle militar da passagem no dia seguinte, alegando repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA sob o pretexto do bloqueio naval.
  • A Guarda Revolucionária iraniana declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington levante completamente o bloqueio naval. "Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e o navio infrator será atacado", sublinhou.