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Ex-assessor iraniano apela pela evacuação total dos países do Golfo

Segundo Mohammad Marandi, os navios que estiverem próximos ao Estreito de Ormuz "serão os primeiros a serem destruídos".
Ex-assessor iraniano apela pela evacuação total dos países do GolfoGettyimages.ru / Akila Jayawardena / NurPhoto

Mohammad Marandi, professor da Universidade de Teerã e ex-assessor da equipe de negociação nuclear do Irã, aconselhou a evacuação imediata dos Emirados Árabes Unidos, do Catar, do Bahrein, da Arábia Saudita e do Kuwait, nesta terça-feira (21).

Ele acrescentou que os marinheiros de todos os navios do Golfo Pérsico devem se preparar para abandonar suas embarcações, especialmente aquelas próximas ao Estreito de Ormuz, que, segundo ele, "serão destruídos primeiro". "O tempo está se esgotando", alertou.

A mensagem foi divulgada após as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou nesta terça que espera "continuar bombardeando" o Irã, ao ser questionado sobre uma possível retomada das hostilidades. "Eu esperaria estar bombardeando! Estamos prontos para agir", afirmou o presidente americano.

Por outro lado, a agência de notícias Tasnim destacou que o Irã está totalmente preparado para um eventual recomeço das hostilidades e tem "novas surpresas" reservadas.

Segundo a agência, as forças iranianas estão prontas para "criar outro inferno para americanos e israelenses desde o primeiro segundo" de uma possível guerra.

"Novas cartas no campo de batalha"

  • No último dia 7 de abril, os EUA e o Irã firmaram uma trégua de duas semanas e concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
  • Trump ameaçou retomar os bombardeios caso o cessar-fogo com o Irã expirasse nesta terça-feira (21) sem um acordo. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que Teerã está preparada "para mostrar novas cartas no campo de batalha" e que não aceitará negociações "sob a ameaça de violência".
  • As negociações são conduzidas em Islamabad, capital do Paquistão. A primeira rodada de tratativas, entretanto, terminou sem o resultado esperado. Nesse contexto, Trump atribuiu o fracasso à parte iraniana que, segundo ele, se recusou a renunciar às suas ambições nucleares" e decidiu bloquear o estreito de Ormuz.
  • Em uma nova estratégia, o governo Trump aplica desde 13 de abril um bloqueio total "a navios de todas as nações que entrarem ou saírem dos portos e zonas costeiras iranianas".
  • Após reabrirem o Estreito de Ormuz para navios comerciais na última sexta-feira (17), as autoridades iranianas restabeleceram o controle militar da passagem no dia seguinte, alegando repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA sob o pretexto do bloqueio naval.
  • A Guarda Revolucionária iraniana declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington levante completamente o bloqueio naval. "Aproximar-se do Estreito de Ormuz será considerado cooperação com o inimigo, e o navio infrator será atacado", sublinhou.