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'Ato de pirataria': Irã emite duro alerta após ataque dos EUA a navio cargueiro

Tripulação e familiares teriam sido intimidados e feitos reféns durante a ação, que Teerã considera uma violação do recente cessar-fogo.
'Ato de pirataria': Irã emite duro alerta após ataque dos EUA a navio cargueiroU.S. Navy / Gettyimages.ru

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou o ataque dos Estados Unidos contra o navio comercial iraniano Touska no mar de Omã, próximo às suas águas territoriais, e denunciou a captura da tripulação e de seus familiares.

Em comunicado emitido nesta terça-feira (21), a chancelaria classificou o ocorrido como um ato "criminoso e ilegal" e afirmou que se tratou de um "ato de pirataria" que viola o direito internacional, a Carta da ONU e um recente acordo de cessar-fogo.

Segundo o texto, a tripulação e seus familiares foram intimidados e feitos reféns durante o ataque, em um episódio que Teerã considera uma grave escalada.

O ministério pediu à ONU, ao Conselho de Segurança e à Organização Marítima Internacional que condenem imediatamente o ocorrido e adotem medidas urgentes para garantir a liberação do navio e de todas as pessoas a bordo.

Além disso, advertiu que os Estados Unidos "assumirão total responsabilidade pelas consequências dessa perigosa escalada" e afirmou que o Irã utilizará "todos os meios disponíveis para defender sua soberania e proteger os direitos de seus cidadãos".

"Pirataria armada"

O quartel-general Khatam al-Anbiya, órgão central na cadeia de comando das Forças Armadas do Irã, afirmou que forças americanas dispararam contra o navio e o abordaram.

"Advertimos que as Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão em breve e retaliarão contra esse ato de pirataria armada cometido pelo Exército dos Estados Unidos", declarou o porta-voz Ebrahim Zolfaghari.

Anteriormente, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que o USS Spruance "ordenou a evacuação da sala de máquinas e, em seguida, disparou vários projéteis com um canhão Mk 45 de 5 polegadas" contra o local.

Depois disso, fuzileiros navais americanos "abordaram o navio, que permanece sob custódia dos Estados Unidos", informou o órgão.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a apreensão do navio, que ele descreveu como tendo um peso "semelhante ao de um porta-aviões".

"Temos total custódia do navio e estamos investigando sua carga", concluiu.

Fechado para navios inimigos

  • Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
  • Por sua vez, as forças americanas iniciaram na última segunda-feira (13) o bloqueio de todo o tráfego marítimo entrando e saindo de portos iranianos.
  • Após o acordo de trégua entre Israel e o Líbano, firmado na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz seria aberto para navios comerciais "durante o restante do período de cessar-fogo".
  • Paralelamente, foi informado que, se o bloqueio naval dos EUA contra o Irã continuasse, Teerã o consideraria uma violação do cessar-fogo e procederia ao fechamento do Estreito de Ormuz novamente.
  • No sábado (18), o Irã restabeleceu o controle militar sobre todo o tráfego no Estreito de Ormuz devido às repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA, sob o pretexto do bloqueio naval.

  • Dada a situação, a pressão sobre Ormuz retornou ao estado anterior, permanecendo sob vigilância e controle das forças iranianas. De acordo com fontes oficiais do país, a situação assim permanecerá até que os EUA liberem a circulação de navios do Irã para seus destinos e vice-versa.