Durante a sessão da Assembleia Geral nesta segunda-feira (20), o representante permanente russo, Vassily Nebenzya, defendeu que a reforma do Conselho de Segurança da ONU deve ampliar a representação do Sul Global, especialmente da África, como forma de corrigir desequilíbrios históricos.
Nebenzya ressaltou que a posição africana comum, expressa no Consenso de Ezulwini, que defende maior representação do continente no Conselho, e na Declaração de Sirte, que consolidou essa reivindicação, permanece como o único pacote de reforma apresentado por um bloco regional historicamente sub-representado.
Nesse sentido, o diplomata reforçou que um dos principais objetivos deve ser a eliminação da injustiça histórica contra o continente africano, aumentando a representatividade de nações do Sul Global e da África no Conselho de Segurança.
O representante também criticou propostas para ampliar o número de assentos ocidentais, afirmando que "as ideias de criar no Conselho lugares adicionais para Estados ocidentais, que já estão excessivamente representados em ambas as categorias, não são apenas utópicas — elas contradizem o próprio curso da história mundial".
Ele reforçou a necessidade de mudanças na estrutura atual e acrescentou que "a página da supremacia colonial de alguns países e povos sobre outros deve ser definitivamente virada".
Por fim, Nebenzya afirmou que não existe uma solução única que atenda a todos e defendeu negociações graduais baseadas no consenso. Ele também sugeriu a manutenção de um conselho mais compacto, com no máximo 25 membros, para garantir a eficácia dos trabalhos.