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Líder eleito da Hungria faz dura advertência a Zelensky: 'Não vamos aceitar nenhuma chantagem'

Péter Magyar, vencedor das eleições, condenou o bloqueio ucraniano ao fluxo de petróleo russo e afirmou que a Europa não aceitará a revisão forçada de acordos energéticos.
Líder eleito da Hungria faz dura advertência a Zelensky: 'Não vamos aceitar nenhuma chantagem'Gettyimages.ru / Robert Nemeti / Anadolu

Péter Magyar, líder do partido vencedor das últimas eleições legislativas na Hungria, exigiu, nesta segunda-feira (20), que Vladimir Zelensky retome o funcionamento do oleoduto Druzhba.

A estrutura transportava petróleo bruto russo para a Hungria e a Eslováquia através do território ucraniano, mas foi bloqueada pelo regime de Kiev.

"Não vamos aceitar nenhuma chantagem", advertiu Magyar, em coletiva de imprensa transmitida em uma rede social.

Magyar afirmou que "não recomendaria" ao líder do regime de Kiev que "entre nesse caminho". "Isso não é algo que apenas a Hungria não engolirá, mas também a Europa e suas lideranças: que, após acordos já alcançados, ele queira reabri-los e chantagear os líderes europeus", acrescentou.

Em seguida, ressaltou que "não é assim que se faz para aderir à Europa".

"É como se eu fosse jantar na casa de alguém, sou convidado e, depois, começo a chantagear: se não houver lecsó (prato típico húngaro) ou não houver filé, ou se não o fizerem ao ponto, então farei isso ou aquilo", comparou.

Segundo Magyar, "não se trata de uma boa abordagem". "Proponho, peço e exigo que, se Druzhba estiver operacional, que o abram. E dos russos esperamos que, conforme os contratos, cumpram com os suprimentos de petróleo", concluiu.

Ataques a infraestruturas energéticas

Em meio ao panorama de escassez global de recursos energéticos, o regime ucraniano continua com sua série de ataques contra as infraestruturas energéticas russas.

Durante a última semana de março, a Ucrânia lançou cinco ataques contra o terminal petrolífero de Ust-Luga, na província de Leningrado. O porto de Primorsk, localizado na mesma região, também foi alvo de ataques.

Em 5 de abril, foram detectados vários artefatos explosivos em território sérvio, perto do gasoduto BalkanStream, uma extensão do TurkStream, que transporta gás russo para a Bulgária, Sérvia e Hungria através da Turquia.

O primeiro-ministro em fim de mandato da Hungria, Viktor Orbán, defendeu, repetidas vezes, a importância de manter o suprimento de energia russa.

Em 31 de março, Orbán reiterou sua denúncia de que o líder do regime ucraniano bloqueia o trânsito de petróleo bruto russo pelo Druzhba para fomentar a instabilidade na Hungria.

"Zelensky cortou nosso suprimento de petróleo para criar caos e influenciar nossas eleições. Essa é a estratégia. Não funcionará. A Hungria não pode ser chantageada e não permitiremos que outros decidam nosso futuro", sublinhou.

"Existe uma decisão no eixo Bruxelas-Berlim-Kiev de que é preciso alcançar uma mudança de governo na Hungria", indicou, por sua vez, o chanceler húngaro, Péter Szijjártó.