
'Ato de agressão': Irã promete resposta após ataque dos EUA a navio cargueiro

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, condenou nesta segunda-feira (20) o ataque dos EUA ao navio cargueiro iraniano M/V Touska como um "ato de agressão".

Baghaei denunciou Washington por "demonstrar a falta de seriedade no processo diplomático" e prometeu uma resposta a "novas aventuras".
"As ações recentes de Washington, incluindo o descumprimento dos acordos relativos ao Líbano e a tentativa de bloquear o Irã no mar, que resultou no ataque ao navio mercante do nosso país, são exemplos claros de 'atos de agressão', de acordo com as resoluções da ONU", acrescentou.
"Essa clara contradição entre palavras e ações exacerba a desconfiança da nação iraniana em relação às intenções dos Estados Unidos; portanto, o Irã tomará uma decisão apropriada quanto à continuação das negociações, priorizando seus interesses nacionais", afirmou o porta-voz.
O Irã não iniciou a guerra, apontou Baghaei, indicando que as ações militares estão sendo realizadas unicamente em legítima defesa de sua soberania.
"A proteção dos interesses nacionais continuará enquanto for necessário e, em caso de quaisquer outros atos de aventureirismo por parte dos Estados Unidos ou do regime sionista, as Forças Armadas responderão com toda a sua força", advertiu.
O porta-voz também afirmou que os Estados Unidos são os principais responsáveis pela insegurança no Estreito de Ormuz. "As tensões no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz são consequência exclusiva das ações militares dos Estados Unidos e do regime sionista", concluiu.
Fechado para navios inimigos
- Após a agressão de EUA e Israel, o Irã bloqueou quase completamente o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao de Omã, e anunciou que não sairia da região "nem uma única gota de petróleo" por mar, o que disparou os preços dos combustíveis.
- Por sua vez, as forças americanas iniciaram na última segunda-feira (13) o bloqueio de todo o tráfego marítimo entrando e saindo de portos iranianos.
- Após o acordo de trégua entre Israel e o Líbano, firmado na quinta-feira (16), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que o Estreito de Ormuz seria aberto para navios comerciais "durante o restante do período de cessar-fogo".
- Paralelamente, foi informado que, se o bloqueio naval dos EUA contra o Irã continuasse, Teerã o consideraria uma violação do cessar-fogo e procederia ao fechamento do Estreito de Ormuz novamente.
No sábado (18), o Irã restabeleceu o controle militar sobre todo o tráfego no Estreito de Ormuz devido às repetidas violações e atos de pirataria por parte dos EUA, sob o pretexto do bloqueio naval.
Dada a situação, a pressão sobre Ormuz retornou ao estado anterior, permanecendo sob vigilância e controle das forças iranianas. De acordo com fontes oficiais do país, a situação assim permanecerá até que os EUA liberem a circulação de navios do Irã para seus destinos e vice-versa.

