
Rússia não gostaria de ver 'nenhum país invadindo Cuba, nem pressionando-a', diz Kremlin

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, assegurou nesta quarta-feira (15), em entrevista à India Today, que a Rússia não gostaria que nenhum país invadisse Cuba. As declarações foram feitas em meio às ameaças de Donald Trump contra a nação caribenha.
"Cuba é um parceiro excepcional da Rússia, nosso bom amigo. E não gostaríamos de ver nenhum país invadindo Cuba, nem pressionando Cuba, nem isolando-a do exterior, impedindo que os medicamentos cheguem às crianças cubanas", declarou.

Peskov ainda descreveu a grave situação de Cuba, causada pelo bloqueio norte-americano que provocou uma crise energética. "As crianças nos hospitais morrem sem eletricidade nem medicamentos. Isso não está certo", afirmou.
Moscou apoia Havana
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, reafirmou o apoio da Rússia à independência de Cuba."Oferecemos apoio a Cuba: político, na ONU e em outros fóruns, econômico e humanitário […]. Continuaremos a prestar essa assistência […] não tenho dúvidas", afirmou o chanceler nesta quarta-feira (15), em uma coletiva de imprensa durante sua visita à China.
"Espero sinceramente que os Estados Unidos não voltem aos tempos das guerras coloniais diretas e da repressão colonial de povos livres. Mas não foi Cuba que se recusou a dialogar com Washington durante décadas. Washington fez todo o possível para isolar o Estado cubano", destacou o ministro, acrescentando que o governo norte-americano tentou "mudar o regime estrangulando a economia cubana".
No contexto do agravamento do bloqueio norte-americano contra a ilha, Moscou ratificou seu apoio à nação caribenha e enviou 100 mil toneladas de petróleo através do navio Anatoly Kolodkin, no início de abril. Além disso, espera-se que envie um segundo petroleiro à ilha caribenha para amenizar a grave crise energética.
Ameaças dos EUA a Cuba
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar com "diversos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o deslocamento na ilha de "capacidades militares e de inteligência sofisticadas" da Rússia e da China.
- Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que descumprirem a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas acusações e afirmado que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupo que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais".
- Em 7 de março, Trump afirmou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que o país estaria "chegando ao fim do caminho".
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta fortemente a economia da ilha, foi recentemente reforçado com novas medidas coercitivas unilaterais por parte da Casa Branca.

