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Cuba agradece a Rússia por 'valiosa carga de combustível' em meio à pressão dos EUA

"Obrigado, Rússia. Obrigado, presidente Vladimir Putin. Obrigado à tripulação do petroleiro Anatoli Kolodkin", escreveu o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, sobre a chegada de 100 mil toneladas de petróleo ao país.
Cuba agradece a Rússia por 'valiosa carga de combustível' em meio à pressão dos EUAX @DiazCanelB

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, se pronunciou, nesta quarta-feira (1º), após a chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin ao país. A embarcação trouxe cerca de 100 mil toneladas de petróleo como ajuda humanitária em meio à crise energética na ilha devido ao bloqueio dos EUA.

"Obrigado, Rússia. Obrigado, presidente Vladimir Putin. Obrigado à tripulação do petroleiro Anatoly Kolodkin que, ao atracar em porto cubano com sua valiosa carga de combustível, nos traz a certeza de uma amizade comprovada nos momentos mais difíceis, como tantas vezes ao longo da história", escreveu o mandatário.

Ao mesmo tempo, Díaz-Canel afirmou que seu país "continuará defendendo o direito soberano de Cuba de importar combustíveis, sem qualquer tipo de ingerência ou pressão".

Petróleo russo chega a Cuba

As declarações do líder cubano seguiram a chegada à ilha, na segunda-feira (30), do petroleiro russo. De acordo com as últimas informações, a embarcação aguarda para ser descarregada no porto de Matanzas, de acordo com o Ministério dos Transportes da Rússia.

Este é o primeiro petroleiro a chegar a Cuba em três meses, após os Estados Unidos pressionarem Venezuela e México a interromper o fornecimento de energia à ilha. Cuba não recebe suprimentos de petróleo desde 9 de janeiro, o que desencadeou uma crise energética.

Posição da Rússia

O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou comemora a chegada do primeiro carregamento de petróleo russo à nação caribenha.

Segundo ele, Cuba se encontra "sob um bloqueio severíssimo" e necessita de derivados de petróleo e petróleo bruto "para o funcionamento dos sistemas vitais do país, para gerar eletricidade e prestar serviços médicos e outros à população".

Nesse contexto, o porta-voz indicou que a Rússia "considera seu dever" fornecer a assistência necessária a Cuba e garantiu que Moscou continuará trabalhando para enviar mais petróleo à ilha.

"Continuaremos trabalhando, repito, na situação desesperadora em que os cubanos se encontram agora. Isso, obviamente, não pode nos deixar indiferentes, por isso seguiremos atuando nessa questão", declarou.

Ameaça dos EUA a Cuba

  • Na quarta-feira (29), o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar com "diversos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o desdobramento na ilha de "capacidades militares e de inteligência sofisticadas" da Rússia e da China.

  • Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que descumprirem a ordem executiva da Casa Branca.

  • A medida ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas acusações e afirma que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba declarou que "essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupo que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais".

  • Na sexta-feira (7) de março, Trump afirmou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que o país está "chegando ao fim do caminho".

  • Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta fortemente a economia da ilha, foi recentemente reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.