
Cuba agradece a Rússia por 'valiosa carga de combustível' em meio à pressão dos EUA

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, se pronunciou, nesta quarta-feira (1º), após a chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin ao país. A embarcação trouxe cerca de 100 mil toneladas de petróleo como ajuda humanitária em meio à crise energética na ilha devido ao bloqueio dos EUA.
"Obrigado, Rússia. Obrigado, presidente Vladimir Putin. Obrigado à tripulação do petroleiro Anatoly Kolodkin que, ao atracar em porto cubano com sua valiosa carga de combustível, nos traz a certeza de uma amizade comprovada nos momentos mais difíceis, como tantas vezes ao longo da história", escreveu o mandatário.
Gracias #Rusia. Gracias Presidente Putin. Gracias tripulantes del tanquero Anatoly Kolodkin que al atracar en puerto cubano con su valiosa carga de combustible, nos traen la certeza de una amistad probada en los más duros momentos, como tantas veces a lo largo de la historia.… pic.twitter.com/vjSBN0DsLL
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) April 1, 2026
Ao mesmo tempo, Díaz-Canel afirmou que seu país "continuará defendendo o direito soberano de Cuba de importar combustíveis, sem qualquer tipo de ingerência ou pressão".
Petróleo russo chega a Cuba
As declarações do líder cubano seguiram a chegada à ilha, na segunda-feira (30), do petroleiro russo. De acordo com as últimas informações, a embarcação aguarda para ser descarregada no porto de Matanzas, de acordo com o Ministério dos Transportes da Rússia.
Este é o primeiro petroleiro a chegar a Cuba em três meses, após os Estados Unidos pressionarem Venezuela e México a interromper o fornecimento de energia à ilha. Cuba não recebe suprimentos de petróleo desde 9 de janeiro, o que desencadeou uma crise energética.

Posição da Rússia
O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou comemora a chegada do primeiro carregamento de petróleo russo à nação caribenha.
Segundo ele, Cuba se encontra "sob um bloqueio severíssimo" e necessita de derivados de petróleo e petróleo bruto "para o funcionamento dos sistemas vitais do país, para gerar eletricidade e prestar serviços médicos e outros à população".
Nesse contexto, o porta-voz indicou que a Rússia "considera seu dever" fornecer a assistência necessária a Cuba e garantiu que Moscou continuará trabalhando para enviar mais petróleo à ilha.
"Continuaremos trabalhando, repito, na situação desesperadora em que os cubanos se encontram agora. Isso, obviamente, não pode nos deixar indiferentes, por isso seguiremos atuando nessa questão", declarou.
Ameaça dos EUA a Cuba
- Na quarta-feira (29), o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar com "diversos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o desdobramento na ilha de "capacidades militares e de inteligência sofisticadas" da Rússia e da China.
- Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que descumprirem a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas acusações e afirma que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba declarou que "essa nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupo que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais".
- Na sexta-feira (7) de março, Trump afirmou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que o país está "chegando ao fim do caminho".
- Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que impacta fortemente a economia da ilha, foi recentemente reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
