
Presidente encarregada da Venezuela recebe delegação dos EUA após alívio das sanções

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, recebeu nesta quarta-feira (15) uma delegação do Departamento de Energia dos EUA liderada pelo subsecretário de Hidrocarbonetos e Energia Geotérmica, Kyle Haustveit, logo após Washington ter emitido duas novas licenças destinadas a aliviar as sanções econômicas e financeiras impostas ao país sul-americano há cerca de uma década.
Em seu discurso, Rodríguez exigiu novamente do presidente dos EUA, Donald Trump, o levantamento de todas as restrições e criticou o alcance limitado das licenças, lembrando que seu caráter temporário não oferece garantias jurídicas adequadas aos investidores. Apesar das críticas, ela assegurou que as duas nações possuem "maturidade" suficiente para restabelecer suas relações bilaterais e fazer da energia um importante marco de parceria.

"Insistimos com o presidente Trump para que as sanções contra a Venezuela sejam suspensas imediatamente, para que todos os investimentos possam se desenvolver plenamente. Pois sempre há nuances e um investidor precisa de maior segurança jurídica. Uma licença […] não oferece segurança jurídica no longo prazo […]. Acredito que temos maturidade suficiente para estabelecer relações energéticas, econômicas e de cooperação no âmbito das legislações de ambos os países", afirmou.
Na mesma linha, ela observou que "a realidade do mercado energético internacional é muito complicada" e que, sem dúvidas, uma Venezuela sem sanções possibilitaria uma melhor cooperação.
Contratos e alívios
Na véspera, Rodríguez assinou novos contratos com a Chevron com o objetivo de aumentar a produção de petróleo na Faixa Petrolífera do Orinoco – onde se encontram as maiores reservas desse hidrocarboneto no país –, por meio da parceria entre a multinacional norte-americana e a estatal Petróleos de Venezuela.
Sem atender ainda à exigência da presidente encarregada, Trump optou por uma política de flexibilização limitada das restrições contra Caracas, o que não implica o abandono do quadro geral de sanções em vigor, renovado por mais um ano em fevereiro passado. De acordo com essa abordagem, nesta terça-feira (14), o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) emitiu duas novas licenças.
A primeira autoriza o Estado venezuelano a iniciar negociações comerciais "contingentes" com particulares, embora sujeitas a inúmeros controles, incluindo a prerrogativa da Casa Branca de aprovar ou vetar o acordo.
A segunda elimina parcialmente as sanções impostas ao Banco Central da Venezuela e a outras instituições financeiras de propriedade do governo venezuelano, o que significa que a nação bolivariana poderá realizar operações dentro do sistema SWIFT sem intermediários, uma possibilidade da qual está privada desde 2017.

