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Trump renova ameaças à OTAN: 'Lembrem da Groenlândia'

O presidente dos EUA questionou a utilidade da aliança militar e afirmou que ela não esteve presente em momentos-chave.
Trump renova ameaças à OTAN: 'Lembrem da Groenlândia'Gettyimages.ru / Nathan Howard

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a OTAN nesta quarta-feira (8) em uma mensagem publicada na rede Truth Social. Nela, o mandatário afirmou que a aliança "não esteve presente quando precisávamos, e não estará se voltarmos a precisar". Trump concluiu com uma ameaça: "Lembrem-se da Groenlândia, aquele grande pedaço de gelo mal administrado!".

As críticas ocorreram em paralelo aos seus contatos com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em meio ao aumento das tensões sobre o papel do bloco no conflito no Oriente Médio. Trump insistiu que os Estados Unidos não precisam do apoio da aliança e voltou a criticar seus parceiros, aos quais acusa de se beneficiarem da proteção militar americana sem assumir custos equivalentes.

"Fracassaram"

Nos últimos dias, Donald Trump endureceu seu discurso contra a OTAN, que classificou como um "tigre de papel" por sua recusa em se unir a Washington nos ataques contra o Irã. Da Casa Branca, o mandatário afirmou que a aliança "não ajudou em nada" e sustentou que alguns de seus membros evitaram colaborar com a operação, em particular ao rejeitar o uso pelos EUA de infraestruturas estratégicas, como pistas de pouso.

As críticas se aprofundaram nesta quarta-feira (8), quando a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, citou Trump diretamente para afirmar que os aliados da OTAN "foram colocados à prova e fracassaram", em referência à falta de respaldo na ofensiva contra o Irã. A funcionária sustentou que o bloco "deu as costas ao povo americano" durante as últimas semanas de conflito.

Por sua vez, Mark Rutte tentou baixar o tom após sua reunião com Trump, e a definiu como "um encontro entre amigos". Em declarações à CNN, assegurou que os aliados estão alinhados com o objetivo de limitar as capacidades nucleares e balísticas do Irã, elogiou a liderança do mandatário americano e afirmou que o mundo é hoje "mais seguro" graças às suas ações.

Rutte evitou questionar publicamente as ameaças de Trump contra o Irã e reafirmou seu apoio: "Apoio o presidente e sei que uma grande parte da Europa também", disse. No entanto, reconheceu que o mandatário americano "está claramente decepcionado com muitos aliados", embora tenha sustentado que a maioria dos países europeus colaborou em diferentes níveis.

Novamente, a Groenlândia

A menção à Groenlândia se insere em uma escalada recente do próprio Donald Trump, que voltou a insistir que Washington busca assumir o controle da ilha — território autônomo da Dinamarca — preferencialmente por meio de uma compra e não pela via militar.

O mandatário justificou essa pretensão por razões de segurança estratégica frente à Rússia e à China, embora sua postura tenha gerado rejeição tanto em Copenhague quanto em Nuuk, e tenha gerado tensões dentro da OTAN, onde vários aliados alertam que estas pressões poderiam corroer a coesão do bloco.