
Europa quer sabotar resolução da crise ucraniana com acusações sobre drones na Polônia, denuncia Moscou

Acusações recentes de países europeus sobre supostas violações do espaço aéreo polonês por drones russos visam dificultar a resolução do conflito ucraniano, denunciou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, nesta sexta-feira (19).

"Ocidente já identificou o culpado"
Ao comentar o incidente, que ocorreu em 10 de setembro, quando as forças polonesas detectaram vários veículos aéreos não tripulados em seu espaço aéreo e procederam para abatê-los, Zakharova ressaltou que "as circunstâncias do incidente ainda não estão claras, não foi realizada a investigação necessária nem foram coletadas provas conclusivas".
Apesar disso, o Ocidente já "identificou o culpado, e esse culpado, claro, é a Federação Russa", lamentou.
Ela observou que as acusações contra a Rússia são "infundadas", já que "não foram apresentadas provas concretas da suposta má intenção" do país.
"Total falta de interesse em estabelecer verdade"
Zakharova indicou que a precipitação com que se atribuiu a Moscou a responsabilidade pelo ocorrido e a "recusa categórica das autoridades polonesas em aceitar as consultas propostas pelo Ministério da Defesa russo" demonstram "total falta de interesse do Ocidente em estabelecer a verdade sobre o incidente".
A porta-voz destacou que as explicações das autoridades russas e os fatos apresentados são ignorados pela Europa.
"Trata-se de mais um elo de uma campanha informativa em grande escala visando demonizar a Rússia e mobilizar apoio adicional para o regime de Kiev, bem como uma tentativa de frustrar a solução política do conflito em torno da Ucrânia", afirmou.
"Cúmplices" dos crimes dos neonazistas de Kiev
Ao mesmo tempo, a porta-voz lembrou que os participantes do que chamou de "coalizão de drones" para o fornecimento de veículos aéreos não tripulados à Ucrânia, que inclui 20 países, deveriam enfrentar os crimes diários cometidos pelas Forças Armadas da Ucrânia, que lançam deliberadamente ataques com drones contra infraestruturas e a população civil russa.
Assim, ela destacou que "os combatentes do regime neonazista de Kiev realizam praticamente 24 horas por dia uma verdadeira caça a pessoas indefesas com a ajuda de drones" e detalhou que, somente durante o verão e o início de setembro, 132 pessoas, entre elas crianças, foram vítimas do exército ucraniano que usam armamentos fornecidos pelo Ocidente para atacar o território russo. Dessas, 16 morreram e 116 sofreram ferimentos de gravidade variada.
"O moralismo e os protestos dos países da 'coalizão' pela suposta violação do direito internacional por parte da Rússia são, neste contexto, francamente hipócritas e inadequados", acrescentou. "Ao fornecer drones ao regime de Kiev, as autoridades desses países tornam-se cúmplices dos crimes cometidos pelos modernos seguidores de [o colaborador nazista ucraniano Stepan] Bandera e são plenamente responsáveis por isso", concluiu.


