As autoridades russas concluíram a investigação do atentado terrorista ocorrido em 22 de março no Crocus City Hall, em Moscou, que deixou 149 mortos e 609 feridos. Segundo o Comitê de Investigação, 19 pessoas foram indiciadas. O grupo responsável seria ligado à organização terrorista "Vilaete Khorasan"*, proibida na Rússia.
De acordo com a investigação, o ataque foi encomendado por Kiev com o objetivo de desestabilizar politicamente o país. Ainda segundo o comitê, parte dos acusados planejava um segundo atentado em Kaspiysk, no Daguestão, que acabou frustrado.
A preparação para o ataque durou meses e envolveu integrantes treinados no exterior. Armamentos foram transportados até a província de Moscou pouco antes do atentado.
Após a ação, os terroristas tentaram fugir para a Ucrânia, mas foram capturados na província de Briansk. O caso, que tramita sob 11 artigos do Código Penal russo, segue com investigações abertas contra dois organizadores e quatro membros da rede terrorista.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, informou que os suspeitos planejavam atravessar a fronteira ucraniana, onde haveria apoio logístico. Kiev negou qualquer envolvimento no atentado.
O atentado
Várias pessoas vestindo roupas camufladas e armadas com fuzis invadiram o local antes de um show. Os tiros começaram simultaneamente no auditório e no saguão da sala, onde uma multidão estava reunida.
Os terroristas atearam fogo em cadeiras no auditório, de onde as chamas se espalharam pela maior parte do local.
Pouco depois do início do ataque, um incêndio de grandes proporções começou no prédio. O Ministério de Situações de Emergência classificou o incêndio como um de "grande complexidade".
O telhado do complexo foi completamente tomado pelas chamas e desabou. Algumas pessoas foram evacuadas diretamente do telhado.
Helicópteros, mais de 320 socorristas e mais de 130 equipamentos foram mobilizados para extinguir o incêndio.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, chamou o tiroteio de "crime hediondo", classificando como "um ataque terrorista sangrento que ocorreu diante dos olhos de toda a humanidade".
Reações
Governos e políticos de várias partes do mundo se manifestaram sobre o ataque. Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, México, Cazaquistão, Belarus, Irã, Turquia, Colômbia e Emirados Árabes Unidos, entre outros, expressaram suas sinceras condolências e condenaram a tragédia. A União Europeia também se juntou às condenações.
Para os EUA, imagens da cena foram "horríveis e difíceis de assistir", enquanto a Alemanha classificou o atentado como "horrível" e pediu que ele fosse esclarecido "rapidamente".
O Conselho de Segurança da ONU também condenou veementemente o ataque terrorista "hediondo e covarde" contra a sala de concertos Crocus City Hall, na província de Moscou.
*O movimento Khorasan, designado como uma "organização terrorista" pelo Conselho de Segurança da ONU, é declarado um grupo terrorista e proibido na Rússia.