Quase 80% dos médicos temem perder habilidades por abuso de IA

Série de estudos recentes apontam sinais de "desqualificação" associada à dependência da inteligência artificial.

O uso crescente de inteligência artificial (IA) na medicina levanta preocupações sobre possível perda de habilidades técnicas entre profissionais, conforme artigo da revista científica Nature, publicado na quinta-feira (18).

Uma série de estudos recentes apontam sinais iniciais de "desqualificação" associada à dependência dessas ferramentas.

Uma pesquisa com profissionais de saúde nos Estados Unidos indicou que 70% dos enfermeiros e 77% dos médicos temem perder competências clínicas com o uso excessivo de IA, reforçando a preocupação em áreas de alta complexidade decisória.

Segundo Kevin Crowston, da Universidade de Syracuse, o fenômeno exige repensar o que pode ser terceirizado às máquinas. "Isso já deve provocar uma reflexão sobre quais habilidades as pessoas querem manter", afirmou.

Na prática clínica, evidências já sugerem queda de desempenho. Um estudo com médicos na Polônia mostrou que, após a introdução de um sistema de IA para detecção de lesões em colonoscopias, a taxa de acerto sem a ferramenta caiu de 28,4% para 22,4%.

Para Robert Wachter, da Universidade da Califórnia, os dados mostram que até especialistas experientes podem ter desempenho afetado pelo uso contínuo da tecnologia, com impacto direto na atenção e na tomada de decisão clínica.