
Elias Jabbour: A América Latina precisa de um projeto nacional próprio para forjar o seu real desenvolvimento
É possível alcançar a utopia por meio de algoritmos e Big Data? Está a América Latina preparada para uma revolução política que poderia mudar o uso do dinheiro para sempre? Estas são algumas das perguntas que marcaram o novo episódio de "Conversando con Correa", no qual o político e economista brasileiro Elias Jabbour, geógrafo e especialista em China, lançou advertências sobre o novo tabuleiro de poder global.

O "segredo" do sucesso chinês: além do planejamento
Durante anos, o mundo se perguntou como a China pôde integrar o mercado sem perder o controle estatal. Jabbour sustenta que a resposta não é apenas política, mas tecnológica: o gigante asiático alcançou algo que o socialismo do século XX não pôde, a fusão perfeita entre o plano e o mercado.
Mas, como eles fazem exatamente? Jabbour explica que a chave está em uma "economia de projetamento" que utiliza a inteligência artificial e o 5G para corrigir erros econômicos em tempo real. O especialista adverte, no entanto, sobre a diferença fundamental entre este modelo e o uso da tecnologia em países como os Estados Unidos, e levanta uma dúvida que incomoda as potências ocidentais.
A tecnologia nos levará ao socialismo ou à barbárie?
Rafael Correa planteou um dilema que parece saído da ficção científica: se a automação e a IA eliminam a necessidade de trabalhadores, o que acontecerá com o consumo e a sobrevivência das massas?
Correa sugere que a tecnologia poderia impor um novo modo de produção não capitalista. Jabbour, por sua vez, oferece uma resposta dividida que pode mudar a forma como entendemos o futuro: "O socialismo é possível apenas com uma revolução; sem ela, há barbárie". A análise sobre como a tecnologia pode libertar e escravizar as sociedades é um dos pontos mais ardentes do debate.
América Latina: oportunidade de ouro ou risco de irrelevância?
Jabbour foi firme ao comparar a capacidade de ação dos BRICS com a situação da América Latina. Enquanto a China avança rumo à autossuficiência tecnológica, a região parece presa em uma disputa de influências.
O convidado lança uma tese provocadora: a desdolarização é uma tendência inevitável que trará uma "revolução política muito grande" à região. No entanto, a estabilidade de países como Argentina ou Equador será o fator determinante para que este processo tenha sucesso ou fracasse estrepitosamente. Que condições devem ser cumpridas para que a América Latina não fique fora deste novo sistema de pagamentos mundial?
A nova Guerra Fria e o papel do Brasil
A conversa abordou também a crescente rivalidade entre Washington e Pequim. Jabbour analisa se a estratégia dos Estados Unidos para frear a China está funcionando ou se, como ele sugere, "já é tarde demais".
Sobre o papel do Brasil e de seu líder, Lula da Silva, o convidado descreve uma realidade contraditória que poderia frear as ambições do Sul Global. Pode um país tão polarizado liderar um movimento mundial? A resposta de Jabbour sobre a diplomacia brasileira e a influência do Norte Global deixa perguntas abertas para o futuro da região.




