Opinião

A 'arma' submarina dos houthis iemenitas que muitos subestimam

A 'arma' submarina dos houthis iemenitas que muitos subestimamRT / Gettyimages.ru / Imagem criada por inteligência artificial

Em complemento a impactante "teoria da Internet morta", a Internet também pode morrer de forma local ou regional devido a geopolítica em seletivos pontos de estrangulamento (choke points), como é o caso do super estratégico estreito de Bab el-Mandeb (que em árabe significa a Porta das Lágrimas).

Agora, ao redor do estreito de Bab el Mandeb, reacendeu a luta entre a Arábia Saudita e os guerrilheiros iemenitas Ansarallah (soldados de Deus), mal chamados de houthis, que é o nome do seu líder fundador, o que elevou a escalada no Mar Vermelho a um grau tal que, no meio da guerra praticamente generalizada do Oriente Médio, acaba de ser gestado um relevante "Pacto de Defesa" em Meca entre a Arábia Saudita e o Paquistão, única potência islâmica não árabe dotada de 170 ogivas nucleares, e a Turquia (conspícuo membro da OTAN).

A praticamente natimorta "Coalizão Marítima" liderada por Riad não surtiu os efeitos desejados.

As pessoas falam muito sobre a indiscutível transcendência do transporte de hidrocarbonetos tanto no estreito de Ormuz quanto no de Bab el Mandeb, mas a sua relevância estratégica como uma rota de trânsito submarino global é ignorada, já que grande parte do tráfego de Internet passa por seus cabos de fibra óptica.

A Arabian Gulf Business Insight (AGBI) aponta que 17 cabos submarinos no Mar Vermelho facilitam 18 % do tráfego de dados globais entre a Ásia, a África e a Europa.

Segundo um mapa do planejador de rotas MAPPR, de julho de 2026, existem no mundo 694 sistemas de cabos submarinos que "transportam a Internet" com "1.893 estações de aterrissagem" em comparação com os satélites, que incluem a Starlink (que ostenta a maioria esmagadora), que ainda transportam menos de 1 % do tráfego intercontinental.

Segundo o MAPPR, "o Mar Vermelho é o mais perigoso ponto de estrangulamento da Internet".

A rota característica dos referidos cabos sai das estações de aterrissagem na costa do Egito no Mar Vermelho, atravessa o seu leito marinho e sai por Bab el Mandeb em direção ao Oceano Índico e, consequentemente, ao Golfo Pérsico.

Existe um "ranking" sobre os países com maior número de conexões no mundo:

1º Indonésia com 138 cabos!,

2º Estados Unidos com 127,

3º Reino Unido com 90;

4º Filipinas com 45 e

5º Espanha com 34.

O cabeamento espanhol no estreito de Gibraltar corre perigo depois da invasão a Ceuta?

Segundo a TeleGeography, a China ostenta 20 cabos, a Índia 18 e a Rússia 12.

Antes da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, desde o ano passado Jon Gambrell da AP dramatizou a "ruptura dos cabos submarinos no Mar Vermelho, interrompendo o acesso da Internet na Ásia e no Oriente Médio" e atribuindo o ocorrido aos rebeldes iemenitas houthis (sic) com o fim de pressionar Israel para finalizar a sua guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza, algo que os iemenitas negaram rotundamente.

É importante assinalar outro detalhe dos múltiplos sistemas dos cabos submarinos do Mar Vermelho: eles não somente conectam o Egito, a Arábia Saudita e o Djibouti, mas também continuam a sua rota em direção ao Oceano Índico e ao Golfo Pérsico (mega sic!).

Acontece, então, que um dano aos cabos submarinos de fibra óptica da Internet no Mar Vermelho ou no estreito de Bab el Mandeb afeta e infecta sine qua non o tráfego da Internet no Golfo Pérsico.

Em datas recentes, Mostafa Salem e Sarah Tamimi da CNN afirmaram que "o Irã vislumbra uma nova fonte de poder nas profundezas do estreito de Ormuz", em referência aos cabos submarinos que transportam o amplo tráfego de Internet e financeiro (mega sic!) entre a Europa, a Ásia e o Golfo Pérsico.

Eles citam o representante militar iraniano Ebrahim Zolfaghari, que declarou no X (cuja conta foi suspensa!) que o Irã imporá taxas de licença aos cabos de Internet do Google, Microsoft, Meta e Amazon.

A propósito, uma interrupção acidental ou deliberada do cabeamento de Internet no Golfo Pérsico afetaria severamente os pletóricos Fundos Soberanos de Riqueza (Wealth Sovereign Funds) dos Emirados Árabes Unidos.

O estreito de Ormuz não pesa tanto em seu cabeamento de Internet (apenas 1 %), mas antes é considerado como um ponto de estrangulamento digital (sic) para as 6 petromonarquias do Golfo Pérsico que detêm importantes centros de dados e Inteligência Artificial, os quais, por sinal, foram bombardeados como represália pelo Irã na recente fase da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o país persa.

A "guerra dos cabos de Internet" no Golfo Pérsico ainda não começou.

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