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Gigante americana de tecnologia faturou US$ 67 milhões com inteligência militar de Israel

Documentos vazados mostram como a Cisco buscou preservar contratos e recuperar sistemas de inteligência israelenses durante a guerra em Gaza.
Gigante americana de tecnologia faturou US$ 67 milhões com inteligência militar de IsraelGettyimages.ru / NurPhoto

Documentos internos vazados revelaram que contratos com a inteligência militar de Israel renderam cerca de US$ 67 milhões à gigante americana de tecnologia Cisco ao longo de três anos. A investigação, publicada pelo jornal britânico The Guardian, mostra como a empresa trabalhou para preservar e ampliar seus negócios com as forças israelenses durante a guerra na Faixa de Gaza.

A Cisco fornece roteadores, servidores e sistemas de comunicação que permitem a transmissão de dados utilizados por empresas, governos e forças militares. Durante o conflito, redes usadas pela inteligência israelense sofreram interrupções de várias horas e travamentos recorrentes, afetando operações consideradas críticas.

"Durante um período de conflito nacional, essas interrupções repetidas prejudicaram gravemente operações críticas", afirmou um memorando confidencial da Cisco, elaborado em setembro de 2025. Os problemas começaram durante atualizações da infraestrutura digital e levaram dirigentes da inteligência israelense a ameaçar cancelar contratos com a empresa.

Para preservar os negócios, a Cisco mobilizou funcionários de alto escalão e equipes técnicas durante meses. A companhia também enviou profissionais para atender diretamente à unidade militar israelense Sapir, que, segundo informações citadas pelo Guardian, esteve envolvida na transferência da infraestrutura de inteligência para instalações subterrâneas após os ataques de outubro de 2023.

Após os reparos realizados entre 2024 e meados de 2025, a empresa registrou a satisfação dos responsáveis pelos sistemas e classificou internamente a recuperação do relacionamento comercial como um "caso de sucesso do cliente".

Cisco e inteligência militar

Os documentos também revelaram dezenas de negociações conduzidas pela Cisco em 2026 com órgãos do governo israelense, incluindo setores de inteligência, Força Aérea e Marinha. Muitas dessas oportunidades comerciais estavam relacionadas à inteligência artificial (IA).

Entre os negócios em discussão estava o Projeto Nimbus, contrato de computação em nuvem entre o governo israelense, Google e Amazon. Executivos da Splunk, plataforma de análise de dados pertencente à Cisco, buscaram participar do projeto, mas os documentos não confirmam a conclusão da negociação. Anteriormente, documentos revelaram que o Google forneceu ferramentas de IA às forças militares israelenses.

Os contratos de tecnologia com Israel também envolvem outras gigantes americanas. Uma investigação anterior revelou que a inteligência israelense utilizou servidores da Microsoft para armazenar milhões de chamadas telefônicas de palestinos, em um sistema de vigilância empregado na identificação de alvos para ataques na Faixa de Gaza.

A atuação da Cisco provocou críticas de funcionários e ex-funcionários organizados no grupo Bridge to Humanity. Eles classificaram os negócios com a inteligência militar israelense como uma "contradição chocante e completa" em relação aos valores da companhia e acusaram a direção de ignorar suas preocupações sobre a guerra.

A empresa também enfrenta questionamentos sobre o tratamento de seus funcionários. Em 2026, a Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos (EEOC) encontrou motivos razoáveis para acreditar que trabalhadores palestinos, árabes e muçulmanos tiveram seus direitos violados em um ambiente marcado por manifestações racistas. A Cisco contestou as conclusões. Paralelamente, investidores pressionam a companhia a realizar uma avaliação independente sobre direitos humanos relacionada aos contratos com as Forças Armadas israelenses.

Procurada pelo Guardian, a Cisco não respondeu ao pedido de comentário. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que utilizam serviços de diferentes empresas para atender às suas necessidades, mas disseram que não comentariam contratos ou serviços fornecidos por companhias específicas.