
Ministério Público ordena prisão domiciliar de Santiago Peña

O Ministério Público do Paraguai ordenou a prisão domiciliar do ex-presidente Santiago Peña, investigado por suspeita de lesão de confiança e outros crimes relacionados ao caso Ueno Bank, conforme informou o jornal La Tribuna. A medida foi anunciada poucas horas após sua destituição pelo Senado paraguaio.
A ordem também atinge o ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo. Segundo o jornal ABC Color, a determinação foi formalizada pela Nota nº 97, no âmbito do processo nº 92/2026, aberto por suspeita de lesão de confiança e outros crimes.
A medida foi expedida pelos promotores Elena Fiore, Christian Benítez, Silvia González Véster e Ruth Karina Benítez, que encaminharam a ordem ao Comando da Polícia Nacional para cumprimento.
No caso de Peña, a ordem estabelece que ele permaneça detido em seu domicílio até ser colocado à disposição do Ministério Público, na Unidade Especializada de Crimes Econômicos e Anticorrupção. Já Carvallo deverá permanecer, após sua detenção, em uma dependência indicada pela Polícia Nacional.

Acusações no caso Ueno Bank
A investigação abrange possíveis irregularidades na fiscalização do Ueno Bank, conflitos de interesse e aplicação de recursos públicos na instituição financeira.
Entre os fatos denunciados está a alegação de que as autoridades do Banco Central do Paraguai, especialmente Carvallo, tinham conhecimento dos problemas do banco desde abril de 2026, mas não teriam adotado, em tempo hábil, as medidas necessárias para evitar a crise.
Peña também é acusado de ter favorecido o Ueno Bank, cuja empresa controladora teve participação acionária dele até 2025. Os parlamentares questionaram ainda a nomeação de Carvallo para a presidência do Banco Central do Paraguai, devido aos seus vínculos anteriores com a instituição financeira.
Outra questão investigada é a aplicação de aproximadamente US$ 355 milhões do Instituto de Previdência Social (IPS) no banco. A crise financeira também provocou investigações, operações de busca e apreensão e protestos de clientes prejudicados.
Destituição de Santiago Peña
A ordem de detenção foi divulgada poucas horas depois de o Senado paraguaio destituir Peña por meio de um processo de impeachment, com o voto favorável dos 44 parlamentares presentes.
O ex-presidente havia apresentado sua renúncia anteriormente, mas o Congresso não chegou a analisá-la por falta de quórum. A destituição ocorreu em meio a denúncias de possíveis conflitos de interesse e irregularidades na gestão de recursos públicos.
A decisão abriu caminho para a sucessão presidencial de Pedro Alliana, até então vice-presidente do Paraguai, que deverá completar o mandato até agosto de 2028.

