
Putin discute com Conselho de Segurança da Rússia futuras negociações sobre a Ucrânia nos EAU

O presidente russo, Vladimir Putin, agradeceu às autoridades dos Emirados Árabes Unidos pelo papel desempenhado na busca de soluções para o conflito na Ucrânia.
Durante uma reunião do Conselho de Segurança da Rússia sobre segurança alimentar, o mandatário anunciou que as negociações trilaterais sobre a questão ucraniana terão início na próxima semana, em Abu Dhabi.

"Agradecemos à liderança dos Emirados Árabes Unidos. Eles nos ajudam constantemente na busca de soluções para resolver a crise ucraniana e em questões humanitárias, relacionadas a intercâmbios humanitários", afirmou Putin.
Putin esclareceu que convidou os integrantes da delegação russa que participarão das negociações para uma reunião, a fim de discutir brevemente o assunto.
As negociações em Abu Dhabi estão previstas para a próxima semana, conforme anunciado pelo enviado especial da Casa Branca, Steven Witkoff. Ele detalhou que Washington atuará como mediador nas negociações em nível técnico entre Ucrânia e Rússia, dando continuidade à iniciativa do presidente Donald Trump para pôr fim à guerra.
Witkoff explicou que as negociações "se concentrarão nos acordos de segurança pós-guerra, na redução das tensões, nos esforços humanitários e nos próximos passos rumo à paz". Além disso, ele informou que os negociadores norte-americanos se reunirão nesta semana, em Bruxelas, com representantes da França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e OTAN para discutir garantias de segurança para a Ucrânia, a arquitetura de segurança europeia no pós-guerra e oportunidades econômicas para apoiar a reconstrução ucraniana.
O enviado de Trump também expressou a esperança de novos avanços "rumo a um acordo de paz abrangente e duradouro, que garanta segurança às próximas gerações".
Estado das negociações sobre o conflito ucraniano
Anteriormente, os negociadores norte-americanos participaram de conversas realizadas em Oslo com Zelensky. Durante o encontro, Estados Unidos, Ucrânia e União Europeia definiram uma posição coordenada sobre os próximos passos para solucionar a crise e abordar as relações com a Rússia.
No dia seguinte, o enviado norte-americano Steve Witkoff se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, em São Petersburgo. Ao comentar as negociações, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou que o principal tema discutido foi o conflito ucraniano. Ele destacou que Moscou está pronta para retomar as negociações trilaterais com Kiev e Washington.
Ushakov também comentou a possibilidade de o conflito terminar em breve. "Não sei até que ponto estamos nos aproximando, mas as coisas estão caminhando nessa direção", declarou.
Por sua vez, Putin afirmou em diversas ocasiões que Moscou está comprometida em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Para isso, ressaltou que, em primeiro lugar, é necessário garantir a segurança da Rússia a longo prazo. Segundo o presidente, é fundamental eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, considerada uma ameaça por Moscou, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares realizadas em 2022, além de reconhecer esses territórios, assim como a Crimeia e Sebastopol, como integrantes da Federação da Rússia. A proposta também exige garantias de neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.

