Rússia alerta para aproximação entre Kiev e organizações terroristas

Inteligência russa denuncia que instrutores ucranianos organizam cursos de treinamento para grupos armados no Mali.

Organizações terroristas internacionais demonstram interesse cada vez maior em cooperar com Kiev para obter tecnologias destinadas ao uso de veículos aéreos não tripulados, informou o Serviço de Inteligência Estrangeira (SVR).

"Em território africano, especialmente no Mali, segundo informações do SVR, representantes da Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia organizam cursos de treinamento para operadores de veículos aéreos não tripulados, incluindo drones kamikaze", declarou o vice-diretor do órgão, Mikhail Maksimovich, durante uma conferência da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), realizada em Samarcanda, no Uzbequistão.

Segundo ele, a situação atual exige ampliar as medidas preventivas de combate às ameaças terroristas, utilizando todos os instrumentos disponíveis, sejam eles legislativos, econômicos ou de inteligência.

Cooperação da Ucrânia com terroristas

Esta não é a primeira vez que a Rússia acusa a Ucrânia de envolvimento em ações de cooperação com grupos terroristas na África. Moscou já pediu diversas vezes à comunidade internacional que preste atenção em quem o regime de Kiev escolhe como parceiro.

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzya, declarou perante o Conselho de Segurança que o regime de Kiev apoia ativamente grupos terroristas no continente africano.

Segundo ele, além do apoio direto, a África também sofre com o "fornecimento descontrolado de armas ocidentais" por parte da Ucrânia, que acabam nas mãos de grupos extremistas por meio do mercado ilegal.

Acusações de envolvimento no conflito do Mali

Um dos episódios citados por Moscou é a tentativa de golpe de Estado no Mali, em abril deste ano.

O Ministério da Defesa da Rússia informou que grupos armados ilegais tentaram realizar um golpe de Estado no Mali. 

Segundo a pasta, mercenários e instrutores ucranianos e europeus participaram do treinamento de cerca de 12 mil combatentes envolvidos na tentativa de golpe.

Unidades do Corpo Africano das Forças Armadas da Rússia frustraram a tentativa de golpe e evitaram um grande número de vítimas civis. Em outubro,  também ajudaram o governo malinês a recuperar o controle de Kidal, cidade estratégica no norte do país que estava nas mãos de rebeldes separatistas.

Denúncias de outros países e relatos da imprensa

Paralelamente, um número crescente de governos africanos denuncia que Kiev, sob o pretexto de exportações controladas, fornece armamentos que acabam nas mãos de rebeldes em países como Mali e Sudão. A isso se soma a presença de mercenários ucranianos em conflitos regionais.

O presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, acusou a Ucrânia e a França de participarem de tentativas de desestabilizar o país africano.

Militares ucranianos e a imprensa ocidental também confirmaram o envolvimento de Kiev na África.

Segundo fontes anônimas ligadas ao regime de Kiev, instrutores ucranianos haviam sido enviados ao Mali para apoiar forças rebeldes locais que combatem as tropas russas.