A crise financeira no Paraguai gerou comparações com o confisco da poupança realizado durante o governo de Fernando Collor de Mello, no Brasil, em 1990. Embora os dois episódios tenham impedido correntistas de acessar parte de seus recursos, especialistas ouvidos pelo Terra destacam que as causas são diferentes.
No Brasil, o bloqueio das aplicações foi uma medida adotada pelo governo Collor para combater a inflação, que ultrapassava 80% ao mês na época. A iniciativa afetou depósitos e investimentos em todo o sistema financeiro com a promessa de posteriormente devolver os valores.
No Paraguai, por outro lado, a crise está concentrada no Ueno Bank, instituição que enfrenta problemas de liquidez e insolvência. Segundo especialistas, os recursos retidos não foram cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito do país, deixando os correntistas do banco sem acesso ao dinheiro.
A situação teve consequências econômicas e políticas, incluindo a renúncia do presidente do Banco Central e a tentativa de renúncia do presidente Santiago Peña em meio ao avanço de um processo de impeachment no Congresso.
Os especialistas alertam que a interrupção de pagamentos e transferências pode comprometer o funcionamento de empresas, atrasar obrigações financeiras e reduzir o consumo. Ainda não há, porém, evidências de que a crise tenha se espalhado para outras instituições e se tornado um problema sistêmico.
Acusações contra o presidente
A intervenção no Ueno Bank bloqueou o acesso de cerca de 2,9 milhões de usuários aos seus depósitos e colocou aproximadamente 32 mil aposentados em situação de incerteza.
O presidente, que ainda ocupa o cargo após ter apresentado renúncia em 5 de novembro, enfrenta investigações por irregularidades no caso.
As acusações incluem desde conflitos de interesse e manipulação regulatória até desvio de fundos de aposentadoria, descumprimento de limites de crédito e acobertamento institucional, além de danos à confiança do sistema financeiro nacional.