
China e Coreia do Sul estreitam laços: o que está em jogo?

Segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Comércio, Indústria e Recursos da Coreia do Sul, as exportações sul-coreanas para a China cresceram em outubro 133,6% em termos anuais, atingindo 26,980 bilhões de dólares, superando a marca de 20 bilhões pelo quinto mês consecutivo.

Em entrevista ao Global Times, o analista chinês Wang Peng explicou que a expansão da infraestrutura de inteligência artificial e da economia digital no país gera uma demanda elevada por semicondutores.
De acordo com o especialista, o fenômeno também mostra o alto grau de integração entre as cadeias de suprimentos das duas nações. Ele destacou que os pontos fortes da Coreia do Sul na produção de chips de memória complementam as vantagens da China na fabricação de produtos eletrônicos em suas aplicações finais e na escala de seu mercado.
Na avaliação dele, Pequim e Seul já não são mais simplesmente compradores e vendedores, mas parceiros estreitamente conectados ao longo de toda a cadeia de valor dos semicondutores.
No entanto, Wang advertiu que o crescimento se concentra mais nos chips ligados à IA, o que torna as exportações sul-coreanas cada vez mais dependentes dos investimentos das grandes empresas de tecnologia.
Cooperação progressiva
Embora as empresas das duas nações concorram em alguns segmentos, o analista vê um grande potencial de cooperação em equipamentos e materiais para semicondutores, infraestrutura de IA, veículos inteligentes e data centers.
As partes buscam estreitar seu laços. De 12 a 16 de outubro, Seul foi palco da 17ª rodada de negociações da segunda fase do tratado de livre comércio TLC bilateral, voltada para serviços e investimentos. Segundo o Ministério do Comércio chinês, citado pelo GT, os dois lados acertaram acelerar as conversas para fechá-las o quanto antes.
O TLC entrou em vigor em 2015, e as negociações sobre serviços e investimentoscomeçaram em 2018. Hoje, o comércio bilateral de bens gira em torno de 270 bilhões de dólares, contra apenas 38,8 bilhões em serviços — uma lacuna que ambos os países pretendem reduzir. Os semicondutores representam 26% do intercâmbio comercial bilateral.

