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A mensagem de Putin ao longo dos anos: Ocidente armou a Ucrânia contra seu povo irmão

O presidente russo afirma desde 2021 que existem tentativas de enfraquecer a Rússia por meio da separação de povos historicamente unidos e acusa o Ocidente de promover a russofobia há décadas.
A mensagem de Putin ao longo dos anos: Ocidente armou a Ucrânia contra seu povo irmãoSputnik / Mikhail Metzel

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, mantém uma posição consistente ao longo dos anos: Rússia e Ucrânia constituem um único povo irmão. Essa visão, expressa muito antes do início da operação militar especial, contrasta com o que o líder russo descreve como tentativas históricas e atuais de forças externas de dividir a sociedade russa e separar os povos eslavos.

A divisão como estratégia histórica

Durante uma reunião do Conselho de Relações Interétnicas, Putin afirmou que as tentativas de dividir a Rússia por motivos étnicos não são novas.

"Isso sempre aconteceu ao longo de nossa história de mais de mil anos", declarou.

"E é compreensível o motivo: a Rússia acabou se tornando uma potência enorme, poderosa e influente, e praticamente todos os nossos adversários geopolíticos tentaram reduzir esse potencial estratégico da Rússia e até mesmo desmembrá-la. Ninguém precisa de um rival geopolítico assim", enfatizou Putin.

Nesse contexto, o presidente russo reconheceu que esses esforços nem sempre foram infrutíferos e que "os problemas que enfrentamos atualmente estão relacionados a esses esforços".

No entanto, destacou que, em períodos de grandes dificuldades, especialmente em situações de combate, "as pessoas não pensam em nenhuma diferença, seja religiosa ou nacional", mas se unem e lutam lado a lado pelos interesses da pátria.

"A unidade dos povos da Federação da Rússia é a condição básica, principal e fundamental para preservar a soberania, a integridade territorial e, consequentemente, a própria existência da Rússia", concluiu.

"Um único povo"

Anteriormente, emuma entrevista, Putin declarou que "os estudos genéticos mais recentes demonstram que, na realidade, russos e ucranianos são um único povo".

"Continuamos dispostos a negociar e a buscar soluções para essa situação tão difícil e complexa, considerando que se trata de um povo muito próximo de nós", acrescentou Putin.

Essa posição foi expressa de maneira ainda mais explícita durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, realizado em 2025.

"Já disse muitas vezes que considero que os povos russo e ucraniano são, na realidade, um único povo. Nesse sentido, toda a Ucrânia é nossa", declarou Putin, ressaltando, porém, que "nunca questionamos o direito do povo ucraniano à independência e à soberania".

As tentativas de "esmagar" a Rússia

Durante um encontro com representantes da imprensa em Nova Delhi, o presidente russo descreveu as crises atuais como resultado de "erros sistêmicos do Ocidente globalista" após o colapso da União Soviética.

"O problema para o Ocidente globalista é que, depois do fim da Guerra Fria, eles se sentiram no 'topo do Olimpo' e acreditaram que tudo lhes era permitido", afirmou.

Na área da segurança, Putin foi mais específico: "Trata-se de uma tentativa de 'esmagar' a Federação da Rússia. Primeiro, com a ajuda de terroristas e separatistas no Cáucaso. Depois, com outros instrumentos e, agora, com a ajuda do regime neonazista na Ucrânia. Isso não para".

O alerta de 2021

A posição de Putin sobre a unidade entre russos e ucranianos foi apresentada detalhadamente em um extenso artigo publicado em 2021, mais de seis meses antes do início da operação militar especial, intitulado "Sobre a unidade histórica de russos e ucranianos".

"Russos e ucranianos são um único povo, um todo indivisível. Essas palavras não são uma homenagem a alguma conjuntura ou às circunstâncias políticas atuais. Já falei disso muitas vezes. Essa é a minha convicção", escreveu Putin.

Na ocasião, o presidente descreveu a barreira criada entre Rússia e Ucrânia como "uma grande desgraça comum, uma tragédia" e "resultado do trabalho deliberado" de forças que sempre buscaram enfraquecer a unidade entre os dois povos.

"A fórmula aplicada é conhecida desde tempos imemoriais: dividir para conquistar", alertou Putin.

O presidente também criticou duramente o que classificou como "assimilação forçada" na Ucrânia: "O mais repugnante é que os russos na Ucrânia são obrigados não apenas a renunciar às suas raízes, às gerações de seus antepassados, mas também a acreditar que a Rússia é sua inimiga".

O artigo também denunciou a glorificação do nazismo. "Representantes da Ucrânia votam repetidamente contra a resolução da Assembleia Geral da ONU que condena a glorificação do nazismo. Sob a proteção das autoridades oficiais, são realizadas marchas e desfiles com tochas em homenagem a criminosos de guerra sobreviventes de formações da SS", criticou.

"Bucha de canhão"

Ao anunciar a mobilização parcial, em 2022, Putin ampliou suas críticas ao acusar o Ocidente de transformar a Ucrânia em um instrumento contra a Rússia.

"Eles vêm preparando esses planos há muito tempo. Incentivaram grupos de terroristas internacionais no Cáucaso e promoveram a instalação de infraestrutura ofensiva da OTAN perto de nossas fronteiras. Transformaram a russofobia generalizada em sua arma", afirmou.

"Durante décadas, cultivaram o ódio contra a Rússia, principalmente na Ucrânia, para a qual preparavam o destino de uma plataforma antirrussa. Transformaram o próprio povo ucraniano em bucha de canhão e o empurraram para uma guerra contra nosso país", declarou o presidente russo.

"Desencadearam essa guerra ainda em 2014, utilizando suas Forças Armadas contra a população civil, organizando genocídio, bloqueio e terror contra pessoas que se recusaram a reconhecer o poder estabelecido na Ucrânia como resultado do golpe de Estado", acrescentou.

  • Putin afirmou repetidamente que Moscou está comprometida com a busca de uma solução diplomática para a crise ucraniana. Para isso, ressaltou que é necessário, em primeiro lugar, garantir a segurança da Rússia a longo prazo, eliminando as causas profundas do conflito. Entre elas, estão a expansão da OTAN, considerada uma ameaça por Moscou, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.

  • A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares realizadas em 2022, e reconheça esses territórios, assim como a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação da Rússia. Além disso, Moscou exige garantias de neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.