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Moscou expõe hipocrisia da Ucrânia sobre idioma russo em caso de 'centro de tortura' de unidade neonazista

Maria Zakharova ironizou o uso do russo pelo chefe do gabinete de Zelensky, Kirill Budanov, em meio ao escândalo envolvendo uma prisão secreta onde pessoas mobilizadas à força eram torturadas.
Moscou expõe hipocrisia da Ucrânia sobre idioma russo em caso de 'centro de tortura' de unidade neonazistaTelegram / MariaVladimirovnaZakharova

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou a aplicação das regras que obrigam autoridades ucranianas a usar o idioma nacional, após o escândalo envolvendo um "centro de tortura" em Petropavlovskaya Borschagovka, nos arredores de Kiev, onde pessoas mobilizadas à força eram mantidas detidas.

Kiril Budanov*, chefe de gabinete de Vladimir Zelensky, foi filmado falando russo, quando chegou ao local operado pela unidade neonazista Azov**, da Guarda Nacional da Ucrânia.

O alto funcionário compareceu ao local após o início de tumultos provocados por denúncias de que militares desertores eram detidos, torturados e extorquidos no edifício.

Zakharova publicou uma série de perguntas dirigidas à comissária ucraniana para a proteção do idioma oficial, Elena Ivanovskaya.

"Após a libertação de um adolescente de uma prisão secreta ucraniana, Budanov* conversa com ele em russo", escreveu a porta-voz da diplomacia russa.

Em tom irônico, ela perguntou se Budanov*, o adolescente e a imprensa que transmitiu a conversa seriam multados e se seus "méritos" e suas idades seriam levados em consideração na definição das sanções.

Durante a visita, Budanov* reconheceu diante de jornalistas que existem "muitos" locais semelhantes na Ucrânia.

"Por que existem edifícios assim, o que está acontecendo, por que temos desertores, por que temos outros problemas? Junto com o grupo organizador que foi formado com vocês, começaremos a investigar tudo a partir de amanhã. Logo pela manhã", declarou o funcionário.

Fraturas na coluna e necrose

O caso que provocou a polêmica veio à tona, quando cerca de 40 homens foram encontrados no porão de uma residência ligada ao grupo militar neonazista Azov**, na localidade de Petropavlovskaya Borschagovka, nos arredores de Kiev.

Segundo relatos de médicos e testemunhas, havia no local pessoas em estado crítico, com necrose e fraturas na coluna vertebral, além de um suposto morto e um adolescente de 14 anos que estava em estado de "choque" após ser agredido com uma pá.

Uma médica que conseguiu entrar no local denunciou que os detidos eram levados para lá com as mãos amarradas e capuzes na cabeça.

Enquanto a polícia negou a ocorrência de detenções ilegais, o 1º Corpo da Guarda Nacional Azov** (regimento neonazista incorporado ao exército ucraniano) divulgou um comunicado classificando as denúncias de tortura como "informações não verificadas", embora tenha reconhecido que quatro detidos por abandono não autorizado de suas unidades foram hospitalizados com ferimentos.

Por sua vez, o comandante da Guarda Nacional da Ucrânia, Alexander Pivnenko, afirmou que o local é um "ponto de mobilização temporária" para pessoas convocadas e desertores.

Ainda assim, a descoberta provocou protestos em massa em frente ao edifício, onde foram registrados confrontos violentos e o uso de gás lacrimogêneo. O próprio Budanov* chegou a ser atingido por spray de pimenta.

A questão do idioma russo na Ucrânia

A Rússia afirma que a discriminação contra a população russófona da Ucrânia — especialmente no Donbass, cujos moradores se recusaram a aceitar a imposição linguística — foi uma das causas que levaram ao início da operação militar especial, em 2022.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que, durante a busca por uma solução para a crise em torno da Ucrânia, é necessário "resolver questões relacionadas a temas humanitários, como a língua russa e os direitos legítimos das pessoas na Ucrânia que desejam desenvolver e fortalecer relações" com o país.

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, rejeitou a possibilidade de se restabelecer o status oficial da língua russa na Ucrânia.

Zelensky assinou uma lei que retira o russo da lista de idiomas protegidos na Ucrânia nos termos da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias.

*Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.

**O Azov é uma organização proibida e classificada como terrorista na Rússia.