Cartas para Epstein: Justiça rejeita ação de Trump contra publicação que revelou mensagem ao criminoso sexual

Presidente americano contestava reportagem de 2025 sobre mensagem obscena enviada ao criminoso sexual em 2003, mas não comprovou dolo efetivo do veículo.

Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou definitivamente um processo por difamação de US$ 10 bilhões movido pelo presidente americano Donald Trump contra o jornal The Wall Street Journal. A ação contestava reportagem publicada em julho de 2025 sobre uma carta de aniversário que Trump teria enviado ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, em 2003.

A reportagem original descrevia uma mensagem incluída em álbum comemorativo dos 50 anos de Epstein, com texto emoldurado pelo desenho de uma mulher nua e assinatura "Donald" imitando pelos pubianos. Trump negou a autoria e o jornal incluiu sua declaração: "Isso não é meu. Isso é falso".

O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital do Sul da Flórida, determinou que Trump não conseguiu provar "dolo efetivo": um critério jurídico que exige demonstrar que o veículo sabia da falsidade da informação ou ignorou a verdade de maneira imprudente.

Gayles rejeitou o argumento presidencial de que o WSJ deveria ter desconsiderado sua investigação após a negativa de Trump. "O argumento viola a Primeira Emenda", escreveu o magistrado, em referência à proteção constitucional à liberdade de imprensa e expressão, tacitamente determinando que o fato de Trump haver negado a autoria da mensagem não invalida a informação veiculada.

A decisão, desta vez com caráter definitivo, impede que a mesma acusação seja apresentada novamente.

Advogados do espólio de Epstein entregaram cópia do álbum ao Comitê de Supervisão da Câmara. O material, compilado por Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, continha carta e desenho semelhantes aos descritos pelo jornal.

O porta-voz da equipe jurídica de Trump anunciou recurso, afirmando que o presidente "continuará responsabilizando aqueles que enganam o povo americano". A Dow Jones, editora do WSJ, declarou-se satisfeita com a decisão.