Os moradores de Alyoshki, cidade russa localizada na província de Kherson, na linha de frente do conflito, foram evacuados nesta sexta-feira por meio de uma missão humanitária e transferidos para Simferopol, na república russa da Crimeia.
LEIA MAIS: Como foi a missão humanitária para salvar moradores de Alyoshki
As autoridades russas organizaram atendimento médico imediato para os evacuados de Alyoshki, que, segundo o relato apresentado, enfrentaram ataques constantes de Kiev contra a população civil na linha de frente. Ao chegarem a Simferopol, os moradores relataram as dificuldades que enfrentaram durante um longo período.
Uma moradora de uma localidade vizinha relatou as dificuldades que enfrentou para chegar a Alyoshki e conseguir ser evacuada.
"De alguma forma, conseguimos chegar a Alyoshki [...] Foi muito difícil, porque a estrada estava minada, a estrada estava danificada, minada, muito difícil", declarou à RT.
Assistência médica
A maioria dos evacuados é de idosos com mobilidade reduzida, o que agrava seus problemas de saúde e torna indispensável o atendimento médico.
"Aqui trabalha uma equipe médica. Estávamos esperando os moradores de Alyoshki. Vamos prestar assistência a eles; os médicos os examinarão e medirão a pressão arterial. Faremos um eletrocardiograma. Contamos com cirurgiões. Toda a assistência necessária lhes será proporcionada", manifestou uma trabalhadora médica.
Outro médico falou sobre os problemas de saúde de alguns pacientes, assinalando que os moradores da cidade não tinham medicamentos nem recebiam atendimento médico. "Eles não tinham remédios. Uma mulher sofria de diabetes e estava há vários meses sem tomar a medicação. É provável que tenha gangrena na perna. Vamos verificar o curativo. Se necessário, vamos interná-la", declarou.
Segundo representantes do centro de acolhimento, as pessoas recebem atendimento imediato e podem ser hospitalizadas se necessário. A ação integra o corredor humanitário criado a partir do acordo entre Rússia e Ucrânia para um cessar-fogo local em Alyoshki, em resposta aos intensos ataques e ao cerco sofridos pela cidade por parte do regime de Kiev.
Operação humanitária
A missão humanitária na cidade russa de Alyoshki foi concluida na sexta-feira e teve como objetivo facilitar a retirada de moradores e distribuir ajuda humanitária.
Os habitantes de Alyoshki puderam deixar a cidade, que enfrenta uma crise humanitária em razão dos constantes ataques militares ucranianos.
A defensora dos Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova, que liderou nesta sexta-feira o grande comboio de ajuda humanitária com destino a Alyoshki, afirmou que, durante a retirada, os moradores puderam escolher se queriam ir para a Rússia ou para a Ucrânia.
Uma cidade sob cerco de Kiev
- A evacuação e a entrega de ajuda humanitária estão sendo realizadas durante um cessar-fogo temporário entre Moscou e Kiev, coordenado com a participação daprimeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. A operação é acompanhada pelos comissários de direitos humanos da Rússia e da Ucrânia.
- Anteriormente, moradores locais relataram à RT que, desde maio, os produtos não chegam a Alyoshki, em meio à escassez de alimentos. "Não temos comida, água nem lenha para o inverno. (...) Você vai dormir pensando se amanhã vai comer ou não, porque hoje não comeu. E amanhã também não vai comer: fazer o quê?", contou um morador.
- A cidade estava constantemente sob ataques de drones, acrescentou outro morador. "Nossa casa foi atingida três vezes. As janelas e as portas foram destruídas. À noite, você vai dormir (...) e tudo fica zumbindo: pronto, lá vem aquele maldito drone", lamentou.
- Além disso, as Forças Armadas da Ucrânia minaram as estradas da região com drones. Por dia, eram lançadas entre sete e 36 minas em diferentes trechos das vias, afirmou o chefe do distrito municipal de Alyoshki, Ruslan Khomenko. Kiev chegou a atacar até mesmo aqueles que transportavam ajuda humanitária.