Notícias

Rússia conclui operação humanitária para evacuar moradores de Alyoshki

Um grande comboio, acompanhado por ambulâncias e jornalistas estrangeiros, retirou da cidade os moradores que optaram por deixá-la e distribuiu ajuda humanitária.
Rússia conclui operação humanitária para evacuar moradores de AlyoshkiRT

Foi concluída a missão humanitária na cidade russa de Alyoshki, na província de Kherson, localizada na linha de frente do conflito. A operação teve como objetivo facilitar a retirada de moradores e distribuir ajuda humanitária.

Os habitantes de Alyoshki puderam deixar a cidade, que enfrenta uma crise humanitária em razão dos constantes ataques militares ucranianos.

A defensora dos Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova, que liderou nesta sexta-feira o grande comboio de ajuda humanitária com destino a Alyoshki, afirmou que, durante a retirada, os moradores puderam escolher se queriam ir para a Rússia ou para a Ucrânia.

"Como determinou nosso presidente, hoje oferecemos essa oportunidade. Aqueles que desejarem ir para o território russo poderão fazê-lo. Os que quiserem ir para o território ucraniano também terão essa possibilidade. Estamos garantindo a segurança e fornecendo os meios necessários para que as pessoas possam partir. Nossa missão é humanitária", afirmou.

Lantratova agradeceu à primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, por sua mediação e destacou que o acordo entre as partes foi alcançado graças aos esforços dela. "Considero essa cooperação construtiva um caminho muito importante. Espero que possamos alcançar ainda mais resultados", ressaltou.

Operação humanitária

A defensora dos Direitos Humanos explicou que o comboio tinha como objetivo tanto retirar os moradores da cidade quanto distribuir ajuda humanitária. Ela ressaltou que ambos os lados estavam cumprindo integralmente seus compromissos relacionados à missão, enquanto o cessar-fogo permanecia em vigor, sem registro de incidentes.

Retirada dos moradores

Anteriormente, Lantratova havia informado que os moradores que decidissem deixar a cidade poderiam fazê-lo até as 14h desta sexta-feira (horário de Moscou), enquanto a distribuição de ajuda humanitária começaria após as 14h30.

"Hoje organizamos um grande comboio composto por 25 ônibus. Isso representa pelo menos 750 vagas", detalhou. Também foram disponibilizadas mais de 30 vagas e nove ambulâncias para a retirada de pacientes acamados. Além disso, foi reservado um ônibus específico para aqueles que desejassem levar seus animais de estimação. A operação também contou com o acompanhamento de 50 profissionais de saúde.

Retirada de minas terrestres

Antes da chegada do comboio à cidade, as tropas russas realizaram operações de desminagem na região para permitir sua passagem. Duas pessoas morreram durante os trabalhos, entre elas um especialista em desativação de explosivos, revelou Lantratova.

Resultados da missão

Por sua vez, Melania Trump comentou os resultados da missão e afirmou que seu principal objetivo era "salvar vidas". "O comboio está preparado para retirar com segurança mais de 750 pessoas que decidiram voluntariamente deixar Alyoshki. Ele inclui 25 ônibus, 50 profissionais de saúde e ambulâncias", escreveu em sua conta no X.

A primeira-dama americana afirmou que "todos os elementos do comboio, incluindo o corredor seguro de entrada e saída de Alyoshki, foram estabelecidos por meio de um acordo mútuo entre os líderes russos e ucranianos".

Enquanto isso, Lantratova publicou no Telegram um vídeo no qual anunciou que a operação humanitária "transcorreu sem incidentes". "Tudo ocorreu sem incidentes. Ambos os lados destacaram o alto nível de organização. Agradecemos aos militares, que garantiram que tudo transcorresse sem problemas", declarou.

"Estamos concluindo nossa missão humanitária em Alyoshki. Neste momento, estamos no território de Armiansk, onde estamos organizando os comboios. Um deles segue em direção ao território ucraniano, enquanto o outro vai para a Federação da Rússia. Neste momento, estamos acompanhando as pessoas até um local de acolhimento temporário", informou.

Ao mesmo tempo, Lantratova propôs tornar regulares as missões humanitárias coordenadas pela primeira-dama dos Estados Unidos. "A experiência de Alyoshki e o trabalho conjunto com o comissário da Rada Suprema da Ucrânia para os Direitos Humanos, Dmitri Lubinets, demonstraram que acordos desse tipo permitem ajudar as pessoas até mesmo nas condições mais difíceis. É importante dar continuidade a esse trabalho em locais onde os civis aguardam apoio", enfatizou.

Como foi alcançado o cessar-fogo?

Em 27 de outubro, entrou em vigor uma trégua local, alcançada graças à mediação da primeira-dama dos Estados Unidos. Os acordos foram oficialmente respaldados e confirmados pelo Ministério da Defesa da Rússia, pelo Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, pela defensora dos Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova, e por seu homólogo ucraniano, Dmitri Lubinets.

A dimensão da tragédia foi resumida em 23 de outubro pela primeira-dama dos EUA, após sua mediação entre Moscou e Kiev para estabelecer um cessar-fogo localizado. "A situação em Alyoshki é desesperadora. Alyoshki é uma cidade na linha de frente da guerra, à beira de uma catástrofe. A população que permanece no local é composta principalmente por idosos que precisam urgentemente de atendimento médico, medicamentos, alimentos e água potável", alertou Melania.

Isolada do abastecimento de itens essenciais e sob fogo diário, a cidade enfrenta uma grave emergência em razão dos constantes ataques ucranianos e, segundo denunciou Lantratova, "do bloqueio criado artificialmente pelas Forças Armadas da Ucrânia".

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu na quinta-feira o papel de Melania Trump nos trabalhos humanitários em Alyoshki. "Justamente neste momento — nos próximos dias, entre hoje e amanhã — está prevista uma operação que, aliás, conta com o apoio da primeira-dama dos Estados Unidos e tem como objetivo prestar assistência especificamente à população civil", destacou.

Uma cidade sob cerco de Kiev

Anteriormente, moradores locais relataram à RT que, desde maio, os produtos não chegam a Alyoshki, em meio à escassez de alimentos. "Não temos comida, água nem lenha para o inverno. (...) Você vai dormir pensando se amanhã vai comer ou não, porque hoje não comeu. E amanhã também não vai comer: fazer o quê?", contou um morador.

Outro habitante descreveu da seguinte maneira a vida em Alyoshki: "Não há nada para comer, não há medicamentos, e os drones voam o tempo todo sobre você. Não é possível nem fumar por cinco minutos: um drone vai sobrevoar você. Ou seja, a cada cinco ou sete minutos, alguma coisa passa por cima da sua cabeça".

A cidade estava constantemente sob ataques de drones, acrescentou outro morador. "Nossa casa foi atingida três vezes. As janelas e as portas foram destruídas. À noite, você vai dormir (...) e tudo fica zumbindo: pronto, lá vem aquele maldito drone", lamentou.

Enquanto isso, um morador denunciou que Kiev os considera "escória". "A Ucrânia não precisa de nós", afirmou. "Quem precisa de nós? Somos descartáveis, somos escória e coisas do tipo", prosseguiu. "Ninguém precisa de nós, exceto a Rússia", concluiu. Segundo ele, o que os habitantes de Alyoshki querem é "levar uma vida normal".

"Muitos civis morreram", afirmou uma moradora, que garantiu que todos os ataques contra civis foram realizados a partir de territórios controlados pelas forças do regime de Kiev. "Sim, foram os ucranianos. Os ataques vinham do lado ucraniano", declarou.

A mulher contou que o prédio de nove andares onde morava foi completamente destruído. "Na noite em que eu pretendia ir embora, jogaram alguma coisa embaixo da minha varanda (...) Tudo estava em chamas. Esquadrias das janelas, vidros, louças... tudo voou pelos ares; os tapetes estavam pegando fogo. Foi isso: não sobrou mais nada", denunciou.

Além disso, as Forças Armadas da Ucrânia minaram as estradas da região com drones. Por dia, eram lançadas entre sete e 36 minas em diferentes trechos das vias, afirmou o chefe do distrito municipal de Alyoshki, Ruslan Khomenko. Kiev chegou a atacar até mesmo aqueles que transportavam ajuda humanitária.