
Megaciberataque: o que aconteceu com a Binance, maior corretora de criptomoedas no mundo?

O ciberataque contra a Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, gerou alarmes no mercado e pânico entre seus usuários. Segundo a empresa, a operação envolveu ativos avaliados em aproximadamente US$ 6,3 bilhões e afetou diversas carteiras digitais.
Inicialmente, a Binance descreveu o incidente como uma violação de segurança e indicou que sua investigação apontava para um possível acesso não autorizado aos seus sistemas. A empresa também afirmou não ter encontrado evidências de que as chaves privadas de suas carteiras tenham sido vazadas. Após o incidente, as repercussões foram imediatas.

Valor roubado e carteiras afetadas
De acordo com uma análise da empresa de inteligência blockchain Bitquery, o ataque afetou 17 carteiras Binance ativas em nove redes, das quais aproximadamente US$ 6,3 bilhões foram transferidos em menos de quatro horas. Entre as transações identificadas estão:
- Binance 14: uma transferência de aproximadamente 167.464 ether (ETH), além de outros tokens, incluindo cerca de 1,615 bilhão de tether (USDT). O valor combinado foi estimado entre US$ 2,5 bilhões e US$ 2,8 bilhões, dependendo das taxas de câmbio utilizadas.

- Binance 16: uma saída de aproximadamente 28.006 ETH.
- Outras carteiras: foram registradas movimentações de ativos como USD Coin (USDC) e transferências em diferentes redes.
O maior ataque cibernético da história?
Se os números forem confirmados, será o maior incidente de segurança da história do setor. Entre os casos mais significativos estão o ataque de fevereiro de 2025 à Bybit, no qual aproximadamente US$ 1,5 bilhão foram roubados, e os roubos da Ronin Network (US$ 625 milhões), Poly Network (US$ 611 milhões), BNB Bridge (US$ 570 milhões) e Coincheck (US$ 530 milhões).
Preparação e execução do ataque
- Os registros da blockchain indicam que as primeiras transferências ocorreram em 29 de outubro, por volta das 17h04 (GMT -3). As últimas transações identificadas ocorreram antes da meia-noite.
- Após receberem os ativos, os endereços vinculados ao ataque redistribuíram parte dos fundos, trocaram stablecoins por outros criptoativos e utilizaram diversas redes e plataformas descentralizadas para movimentar o dinheiro.
- Os hackers supostamente exploraram uma vulnerabilidade relacionada ao sistema de autorização de transações para movimentar fundos sem que os proprietários percebessem a tempo.
A explicação preliminar da Binance aponta para uma possível invasão de um laptop pertencente a um engenheiro de DevOps. A partir desse dispositivo, os invasores supostamente obtiveram acesso a um contêiner de serviço e enviaram ordens de saque não autorizadas.

Reação do mercado de criptomoedas
O incidente também impactou o mercado de criptomoedas, onde foram registradas oscilações bruscas de preços e liquidações de posições.
- O Bitcoin caiu abaixo de US$ 77 mil durante as negociações de quinta-feira, 29 de outubro.
- Outros ativos importantes, como ether, ripple (XRP) e Binance Coin (BNB), também registraram perdas.
- Dados da CoinGlass, compilados pela The Block e CoinDesk, mostraram que as liquidações de posições alavancadas totalizaram aproximadamente US$ 1,5 bilhão em 24 horas. Desse montante, cerca de US$ 1,29 bilhão correspondiam a posições compradas — apostas de traders que esperavam que os preços subissem.
O que a Binance disse?
A empresainformou ter congelado quase US$ 3 bilhões em ativos relacionados ao ataque. No entanto, esse valor não representa os fundos recuperados: parte do dinheiro permanece sob o controle de endereços ligados aos invasores.
A plataforma também garantiu aos usuários que cobrirá as perdas por meio de seu fundo de proteção SAFU e de seus próprios recursos, e que os fundos dos usuários estão seguros. A empresa indicou ainda que continuará colaborando com empresas do setor para rastrear e bloquear ativos ligados ao incidente.
A empresa também anunciou o início de uma investigação com o apoio das autoridades e parceiros de inteligência em blockchain e que, assim que os fatos forem verificados e a investigação concluída, publicará "uma análise técnica detalhada".

