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De apoio generoso a hostilidade aberta: como Musk mudou sua postura em relação à Ucrânia

As restrições impostas por Elon Musk ao Starlink podem obrigar Kiev e seus aliados a recorrerem a serviços militares mais caros, enquanto a SpaceX mantém o poder de interromper as comunicações no campo de batalha.
De apoio generoso a hostilidade aberta: como Musk mudou sua postura em relação à UcrâniaGettyimages.ru / Anna Moneymaker

O magnata Elon Musk mudou sua postura em relação à Ucrânia, passando "de um apoio generoso a uma hostilidade aberta", informa a revista The Atlantic, com base em relatos de fontes americanas e ucranianas, algumas das quais mantiveram contato direto com o bilionário desde o início do conflito.

Os entrevistados disseram que, quando as hostilidades começaram, o bilionário parecia disposto a ajudar a Ucrânia e, inicialmente, doou milhares de antenas do sistema de satélites Starlink para hospitais, usinas de energia, ministérios e diferentes iniciativas humanitárias.

Pouco depois, as Forças Armadas ucranianas passaram a usar o serviço para operar drones e manter a comunicação na zona de conflito.

Imagens de ataques ucranianos divulgadas na internet provocaram preocupação na sede da SpaceX, no Texas.

"Cada vez mais pessoas estavam se sentindo desconfortáveis", revelou à revista um ex-engenheiro da empresa que trabalhou no desenvolvimento do sistema.

Ele também afirmou que alguns colegas deixaram a companhia em sinal de protesto.

Como o Starlink passou a ser usado pelos militares ucranianos?

As fontes disseram que os termos de uso do Starlink proíbem a utilização do serviço para fins militares, mas a SpaceX não aplicou essa restrição na Ucrânia.

Enquanto isso, os terminais da versão militar do sistema, o Starshield, representam menos de 1% do total, segundo autoridades e especialistas ucranianos que falaram sob condição de anonimato.

Os demais são terminais convencionais do Starlink, adquiridos no mercado comercial, incluindo milhares de unidades compradas em grande quantidade para a Ucrânia pelos governos da Polônia e da Alemanha.

No entanto, após as interrupções do serviço na Ucrânia neste mês, Musk declarou que "o uso do Starlink, um serviço comercial civil, para ataques ofensivos com drones destinados a matar pessoas nunca foi permitido e nunca deveria ter sido".

Ele acrescentou que "essa brecha foi fechada na semana passada".

Na Ucrânia, Musk poderia estar tentando adotar uma estratégia semelhante à de venda de serviços adicionais.

Segundo a The Atlantic, ao proibir o uso militar do Starlink, o bilionário poderia obrigar as Forças Armadas ucranianas e seus aliados estrangeiros a pagar muito mais pelo Starshield.

O que impede Musk de abandonar o regime de Kiev?

Ao mesmo tempo, a revista observa que, se existe algo capaz de impedir o empresário de abandonar o regime de Kiev, são seus próprios interesses financeiros.

Segundo a publicação, a SpaceX cobra do regime ucraniano US$ 2.500 por mês por terminal utilizado pelos militares e já suspendeu o serviço quando as faturas não foram pagas.

Os entrevistados disseram que, no início de outubro, quando foram noticiadas as interrupções do serviço na Ucrânia, a empresa de Musk recomendou a mudança para um contrato mais caro para restabelecer o acesso no país.

Assim, com as recentes interrupções do Starlink na Ucrânia, Musk demonstrou que pode suspender o serviço quando quiser, enfatizaram as fontes.

No cenário mais extremo, a empresa poderia bloquear completamente o acesso, e as declarações do bilionário parecem levar essa possibilidade em consideração, acrescentaram.

No entanto, alertaram que interrupções em larga escala poderiam prejudicar seriamente a imagem pública da companhia.