Primeiro relatório sobre colisão fatal de trens na Espanha revela informações contidas nas 'caixas pretas'

A Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes Ferroviários, Marítimos e de Aviação Civil (AITAT) da Espanha ainda não estabeleceu uma causa definitiva e mantém abertas as diferentes linhas de investigação.

A Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes Ferroviários, Marítimos e de Aviação Civil (AITAT) da Espanha divulgou, nesta quinta-feira (29), o primeiro relatório sobre acolisão de dois trens de alta velocidade ocorrida em Urda, província de Toledo, que deixou pelo menos 74 mortos e mais de uma centena de feridos.

O documento estima que o choque ocorreu a uma velocidade entre 160 e 200 quilômetros por hora e aponta uma possível sucessão de falhas que teriam levado ao acidente, segundo informou o jornal local Público.

O órgão investigador explicou que participou, nesta quinta-feira, juntamente com a Polícia Judiciária e as companhias ferroviárias, da recuperação dos registros a bordo de ambos os trens, conhecidos como "caixas-pretas", similares às contidas em aviões.

Esses dispositivos, que contêm informações relevantes sobre o funcionamento das composições e as circunstâncias que antecederam o acidente, ficaram sob a custódia da Guarda Civil para posterior análise.

Segundo o relatório preliminar, a violência do impacto fez com que a unidade dianteira do trem de alta velocidade ficasse encravada no último vagão da composição da Iryo, que estava parada na via. Ambos os veículos acabaram tombados e virados na base do talude ferroviário.

No caso do trem da Iryo, o documento aponta que todos os seus vagões descarrilaram, exceto os dois primeiros. Além do último vagão, também caíram pelo talude o penúltimo e o antepenúltimo, o que agravou as consequências do acidente e dificultou as operações de resgate.

No entanto, o órgão ainda não estabeleceu uma causa definitiva e mantém abertas as diferentes linhas de investigação.

Os investigadores encontram-se, atualmente, na fase de coleta de provas no local, documentação técnica e dados provenientes dos registros ferroviários. Nas próximas etapas, estão previstas entrevistas, a inspeção de outras instalações e de material rodante, bem como a revisão dos procedimentos de manutenção da infraestrutura.

Enquanto a investigação avança, o balanço provisório de vítimas fatais subiu para 74, segundo o processo aberto pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários. De acordo com o relatório, cerca de 200 pessoas ficaram feridas.