
Antes da tragédia de trens-bala na Espanha, diretor de empresa envolvida alertou para problemas técnicos

Fabrizio Favar, CEO da Iryo, empresa privada de trens de alta velocidade que opera na Espanha, alertou há quase um mês sobre os persistentes problemas técnicos na linha onde ocorreu uma grave tragédia ferroviária, deixando pelo menos 69 mortos e centenas de feridos.

"Em relação à linha Madrid-Sevilha, o problema mais frequente, independentemente do impacto extraordinário, está relacionado com o sistema de sinalização, o LZB; é um sistema bastante antigo, é um sistema seguro, mas bastante antigo", explicou o empresário no Senado, durante o seu depoimento perante a Comissão de Inquérito sobre o Estado da Rede Ferroviária.
A hipótese ganhou força porque, por volta das 8h30 do dia da tragédia, três computadores responsáveis por controlar o trânsito e a sinalização falharam simultaneamente em um trecho de 63 a 90 quilômetros da linha de alta velocidade.
Com isso, vários trens pararam automaticamente, entre eles um da Iryo, que ficou imobilizado no quilômetro 119, perto de Urda, sem conseguir retomar a marcha.
"Cada vez que a sinalização do trem não tem desconexão da sinalização de terra, o trem para, não se pode mover e leva bastante tempo para reconectar e começar novamente o serviço", explicou Favar na ocasião.

Causas hipotéticas do acidente
O acidente está sendo investigado como resultado de uma provável sequência de eventos entre uma falha técnica no sistema de segurança e erro humano no centro de controle, de acordo com a mídia local.
Com base nessas descobertas, técnicos, o Ministério dos Transportes e especialistas independentes apresentaram três hipóteses que poderiam explicar a causa final da colisão entre um trem AVE operado pela Renfe e um trem da empresa Iryo na linha de alta velocidade que liga as comunidades autônomas de Madri e Andaluzia.
Não é o primeiro acidente grave deste tipo este ano na Espanha. Em 18 de janeiro, mais de 40 pessoas morreram no acidente em Adamuz, Córdoba, que ainda está sob investigação.
Poucos dias depois, um trem de passageiros colidiu com um muro de contenção que desabou sobre os trilhos nos arredores de Barcelona. O maquinista morreu e mais de 30 passageiros ficaram feridos.
