Embaixada dos EUA classifica vitória de Lula como 'definitiva' e 'surpreendente' em relatório - imprensa

Documento, divulgado pela Folha, foi enviado ao Departamento de Estado e aponta impacto insignificante da extensão da votação e registra preocupação de integrantes do PL com possíveis consequências da contestação.

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília teria classificado como "definitiva" e "surpreendente" a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25). A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo na quinta-feira (29), que afirma ter tido acesso a um relatório diplomático encaminhado ao Departamento de Estado americano na segunda-feira (26).

De acordo com a publicação, o documento registra que a votação ocorreu majoritariamente de forma pacífica e que observadores internacionais não apresentaram questionamentos sobre o resultado. O relatório também aborda aampliação do horário de votação, medida adotada após problemas de transporte e dificuldades de acesso a seções eleitorais.

Segundo informações atribuídas ao TSE no documento, aproximadamente 34 mil votos foram registrados depois das 17h, número equivalente a 0,03% do total. A avaliação apresentada pela representação americana é de que a extensão do horário não teve influência significativa na diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

O documento destaca ainda que observadores internacionais não identificaram motivos para questionar o resultado. A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, afirmou não ter "nenhuma dúvida sobre os resultados", embora tenha apontado falhas na comunicação entre os responsáveis pela organização da votação.

A reportagem também aponta que o relatório menciona preocupações internas no PL com a possibilidade de a contestação eleitoral anunciada por Flávio provocar uma crise política e prejudicar a legenda. O senador havia classificado o resultado como "impossível de aceitar".

O conteúdo atribuído à embaixada contrasta com asdeclarações públicas de Donald Trump, que voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro e classificou a disputa como uma "vergonha". Até quinta-feira (29), o governo americano ainda não havia enviado uma mensagem formal parabenizando Lula pela vitória.