China reafirma apoio à escolha dos brasileiros após Trump questionar resultado eleitoral

Pequim voltou a defender a legitimidade da decisão dos eleitores brasileiros, enquanto o presidente dos EUA levantou suspeitas de fraude e o senador Flávio Bolsonaro fugiu do país.

A China voltou a afirmar que respeita a escolha dos brasileiros após Donald Trump contestar o resultado das eleições que garantiram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Respeitamos a escolha independente do povo brasileiro", declarou o porta-voz Guo Jiakun em entrevista coletiva, ao responder a uma pergunta sobre as acusações feitas pelo presidente americano.

Antes disso, o presidente chinês Xi Jinping também parabenizou Lula pela reeleição e defendeu a ampliação da cooperação entre os dois países, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.

Xi classificou a relação sino-brasileira como "um modelo de solidariedade e cooperação entre os países do Sul Global" e manifestou disposição para aprofundar a coordenação estratégica bilateral.

Analistas avaliam que a continuidade de Lula no poder pode favorecer a cooperação em áreas como terras raras e alta tecnologia, enquanto o Brasil busca aproveitar os interesses de Pequim e Washington para obter melhores condições para o país.

Trump questiona a eleição

Donald Trump classificou as eleições brasileiras como "terríveis" e afirmou que o resultado parecia fraudado, embora tenha dito que não tomou partido na disputa.

"Eu gosto do Lula. Eu me dou muito bem com ele. Só acho que a eleição passou uma péssima impressão, pela forma como os votos foram apurados. Sabe, a prorrogação concedida foi muito estranha", concluiu.

Fuga para os EUA

Após o resultado que confirmou a vitória de Lula nas eleições, Flávio Bolsonaro tomou a decisão de fugir para Miami junto com sua família, desrespeitando a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que determinou que o senador entregasse seus passaportes, proibindo-o de deixar o Brasil.

O senador é alvo de investigações: uma apura um possível pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Outro inquérito apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas.