A Organização dos Estados Americanos (OEA) reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin nas eleições presidenciais de 2026, mas apontou preocupações com decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o aumento da judicialização eleitoral. Em relatório preliminar divulgado recentemente, a missão de observação afirmou não ter dúvidas sobre a integridade e a confiabilidade dos dados oficiais apurados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Um dos principais pontos de atenção foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de estender em duas horas o período de votação em todo o país. A medida foi tomada após reclamações relacionadas àredução da oferta de transporte público gratuito em estados como a Bahia. Segundo o relatório, a intervenção ocorreu enquanto o TSE ainda analisava solicitações relacionadas ao tema e provocou dificuldades operacionais durante o encerramento do pleito.
A missão também destacou o aumento das disputas judiciais durante a campanha presidencial. Entre julho e outubro, o TSE recebeu 1.071 ações de representação e pedidos de direito de resposta, número quase 75% superior ao registrado nas eleições de 2022. Diante desse cenário, a OEA recomendou mecanismos que permitam a revisão rápida, pelos colegiados dos tribunais, de decisões individuais tomadas em caráter emergencial.
Entre os aspectos positivos, o documento apontou uma queda de 86% nas denúncias de desinformação contra a integridade do sistema eleitoral em comparação com 2022. A missão também destacou a ampliação do uso da biometria, que alcançou 89% dos mais de 158 milhões de eleitores, além do crescimento da representação feminina na Câmara dos Deputados e do recorde de candidaturas indígenas.
A OEA recomendou ainda a atualização das regras para conteúdos políticos na internet, incluindo publicidade digital e uso de inteligência artificial, além de mudanças nos prazos para análise de candidaturas. O relatório também defendeu a criação de um sistema nacional de registro de denúncias de violência política de gênero e ataques contra jornalistas e comunicadores.