Mbappé sofre boicote e cancelamento em massa na China: o que se sabe sobre o escândalo

O escândalo estourou por causa de um trecho do programa francês "The Bridge", onde o astro francês fala sobre memes que envolvem sua imagem. A reação na China foi fuminante.

Empresas chinesas importantes rescindiram seus contratos com o craque francês Kylian Mbappé, e emissoras estatais suspenderam as transmissões da LaLiga, após a divulgação de um vídeo no qual o atacante do Real Madrid faz comentários considerados ofensivos ao gigante asiático.

Por conta de um meme

O escândalo veio à tona após um trecho do programa francês The Bridge viralizar.

Ao falar sobre memes que o retratam como um "Kylian ditador" — que viralizaram durante a Copa do Mundo de 2026 —, o jogador confessou que o que "mais o faz rir" é um em que seu rosto é colocado no corpo de um "ditador chinês"; na tela, aparecia sua face sobreposta a uma imagem semelhante à de Mao Tsé-Tung, grande líder da Revolução Chinesa.

Embora o vídeo tenha sido removido do YouTube, ele já tinha viralizado nas redes sociais chinesas.

Boicote em massa

A reação na China foi imediata e contundente. A Dongqiudi, maior plataforma de futebol do país, acusou Mbappé de demonstrar uma "desfaçatez absoluta e total falta de respeito".

Imediatamente, gigantes locais — como a fabricante de bebidas Eastroc Beverage e a empresa de laticínios Mengniu — romperam todos os seus laços comerciais com o jogador, alegando "tolerância zero" diante de ofensas à nação.

A empresa de laticínios Milkground adotou postura semelhante.

Segundo o site de not[icias Global Times, sob a hashtag #MbappeStillOwesAnApology ("Mbappé ainda deve um pedido de desculpas") na rede Weibo, marcas de luxo internacionais, como Dior e Hublot, também ocultaram suas campanhas que contavam com o astro francês.

O golpe mais duro veio da emissora estatal CCTV, que não apenas vetou qualquer notícia sobre Mbappé, mas também cancelou a transmissão das partidas da La Liga espanhola.

O conflito chegou ao Ministério das Relações Exteriores da China. O porta-voz da pasta, Lin Jian, declarou nesta terça-feira (27), em uma coletiva de imprensa, que "palavras e atos que ofendam os sentimentos do povo chinês enfrentarão, naturalmente, a oposição de toda a sociedade".

Mbappé pede desculpas

Diante do colapso comercial em um dos mercados mais lucrativos do mundo, Mbappé divulgou um comunicado urgente, admitindo que seu comentário foi "infeliz".

"Agora compreendo que isso feriu muitas pessoas na China e suas comunidades ao redor do mundo. Peço desculpas a todos os que se sentiram ofendidos", afirmou.

Em uma tentativa desesperada de salvar os direitos de transmissão, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, também emitiu um pedido de desculpas oficial.

Esclarecendo que as palavras do jogador foram a título pessoal e não representam os clubes espanhóis, Tebas manifestou seu "profundo respeito pela China e por suas instituições", prometendo medidas concretas para evitar que crises semelhantes voltem a ocorrer. "Valorizo ​​a confiança com a qual, ao longo de tantos anos, têm acompanhado o nosso futebol", acrescentou.