O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou após sua vitória no segundo turno das eleições, que pretende mudar a forma de governar o Brasil, ampliar a participação popular nas decisões e regulamentar as plataformas digitais. O petista também acusou empresas de tecnologia de tentar interferir no processo eleitoral.
"Não podemos ter empresas ganhando milhões e milhões, não pagando imposto neste país e tentando direcionar o resultado eleitoral neste país", declarou Lula durante sua primeira manifestação à imprensa após a vitória.
O presidente afirmou que a disputa foi marcada por uma "intromissão vinda de fora para dentro", por meio das plataformas digitais, e defendeu que crimes cometidos na internet recebam o mesmo tratamento daqueles praticados fora do ambiente virtual.
Lula também classificou o resultado como "uma derrota do negacionismo" e "uma derrota da mentira". Ao comentar os debates eleitorais, afirmou ter ficado constrangido ao enfrentar Flávio Bolsonaro (PL), a quem chamou de "representante genuíno dos principais milicianos do país".
Agradecimento aos eleitores
O presidente agradeceu aos brasileiros pela vitória e destacou a participação dos jovens, das mulheres e dos idosos. Segundo Lula, a eleição registrou os menores números de abstenções e de votos nulos da história do país.
"Nós conseguimos convencê-las de que o voto é importante para segurar a democracia do país", afirmou, ao mencionar idosos que foram levados às seções eleitorais por familiares.
Lula também recordou a mobilização de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado (24). O presidente destacou o entusiasmo dos participantes e afirmou que a manifestação demonstrou que o Brasil "não aceita ser quintal de ninguém".
Ao abordar as relações internacionais, o petista citou uma frase do cantor Chico Buarque sobre seu governo não falar grosso com a Bolívia nem fino com os Estados Unidos. "A gente fala igual com todo mundo", declarou.
Participação popular
Lula prometeu ampliar a participação dos brasileiros nas decisões de seu próximo governo. "Nós vamos mudar o jeito de governar este país", afirmou, acrescentando que pretende envolver mais a população nas decisões.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também agradeceu aos eleitores e destacou a participação da juventude e das mulheres na campanha. Ele lembrou que 25 de outubro é o Dia Nacional da Juventude.
"O senhor, pela segunda vez, salvou a democracia brasileira. Conte conosco para estarmos à altura do povo brasileiro. Parabéns, presidente Lula", declarou Alckmin.
Em resposta, Lula elogiou o vice-presidente. "Feliz o presidente que tem um vice da qualidade e da lealdade que eu tenho no Alckmin", afirmou.
O presidente também atribuiu a vitória à mobilização dos eleitores. "Nós ganhamos essa parada junto com o povo brasileiro", declarou.
Com 99,37% das seções eleitorais apuradas, Lula tem 51,76% dos votos válidos, ante 48,24% de Flávio.
A vitória de Lula representa um duro revés na campanha de Flávio, que esperava uma vitória do senador após o primeiro turno, quando terminou à frente do petista.
Desde a redemocratização do Brasil, nunca um candidato que perdeu o primeiro turno conseguiu vencer o segundo turno.
Governo para todos
Lula afirmou que, após a vitória eleitoral, pretende governar para todos os brasileiros, independentemente das preferências políticas. O presidente também prometeu ampliar as políticas públicas voltadas aos idosos e às mulheres.
"Na medida em que a gente ganha as eleições, não temos adversários. Tenho que governar para 215 milhões, para todas as cidades", declarou.
Sobre a liberdade religiosa, Lula afirmou que todas as crenças serão respeitadas em igualdade de condições. "Não tenho preferência por religião, tenho preferência pela fé do povo brasileiro. Ao Estado laico cabe garantir a liberdade religiosa plena", disse.
Educação e tecnologia
Na educação, Lula anunciou que pretende universalizar as escolas de tempo integral até o ensino médio, ampliar o Pé-de-Meia e criar uma versão universitária do programa, para evitar que jovens abandonem os estudos por necessidade de trabalhar.
O presidente também defendeu investimentos no ensino de matemática e engenharia, além do desenvolvimento de tecnologias nacionais. "Não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana. Quero uma brasileira", afirmou.
Lula destacou o potencial energético do Brasil para atrair centros de processamento de dados. Segundo ele, as empresas que instalarem data centers no país deverão reservar parte da infraestrutura para atender à população brasileira.
Na área ambiental, o presidente prometeu fortalecer a política climática e afirmou que o país conseguiu reduzir o desmatamento por quatro anos consecutivos.
Saúde pública
Lula também prometeu ampliar o acesso ao tratamento do câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente afirmou acreditar que o Brasil poderá alcançar o maior percentual de tratamento da doença entre os países do mundo.
"Estou convencido de que, logo, logo, o Brasil será o país do mundo com o maior percentual de tratamento de câncer", declarou. Segundo ele, o objetivo é impedir que brasileiros morram por falta de atendimento.
Relação com Congresso
O presidente afirmou que pretende trabalhar com o Congresso Nacional eleito pela população, independentemente das diferenças políticas.
"Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. Não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que vou votar e trabalhar", declarou.
Lula também prometeu concluir o próximo período presidencial com disposição para trabalhar.
"O Lula não vai querer outro mandato. Vai terminar esse mandato inteiraço, correndo mais que qualquer um de vocês", disse.
Próximo governo
O presidente afirmou que terá dois meses para discutir a composição e as prioridades do próximo governo. Nesse período, pretende se reunir com empresários, educadores, cientistas e representantes das mulheres.
Em tom de brincadeira, Lula também mencionou o Corinthians. "Quero me reunir com o Corinthians. O Corinthians perdeu outra, cara. Está parecendo o Bolsonaro, só perde, cara", afirmou.
O petista prometeu dedicação integral ao novo mandato. "Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história deste país. Vou dedicar 24 horas por dia para fazer deste país o que todo mundo sonha", declarou.
Segurança pública
Lula também anunciou que pretende ampliar a atuação do governo federal na segurança pública, argumentando que os estados não conseguem enfrentar sozinhos os problemas do setor.
"O governo federal nunca teve responsabilidade com segurança pública. Agora está provado que os estados não dão conta. Nós vamos entrar agora para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade de que precisam", afirmou.
O presidente encerrou o compromisso com uma promessa de endurecimento contra a criminalidade: "Para o povo trabalhador, proteção. E para o bandido, vou dar prisão".
Agradecimento pela vitória
Lula também agradeceu a Deus e aos brasileiros pelo resultado eleitoral. O presidente afirmou acreditar que sua trajetória política está ligada à fé e destacou a participação popular na vitória.
"Não fui eu e Alckmin que ganhamos essas eleições", afirmou, atribuindo o resultado à defesa da democracia, à honradez e ao nacionalismo.
Ao recordar seu histórico eleitoral, o petista destacou a virada na disputa presidencial. "Eu nunca ganhei eleição no primeiro turno, mas nunca perdi no segundo turno", concluiu.