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Acordo do diesel russo traz alívio aos agricultores e fúria aos democratas nos EUA

Os democratas investigarão as empresas envolvidas no acordo de fornecimento de diesel russo enquanto que a Casa Branca o defende como uma forma de ajudar os agricultores.
Acordo do diesel russo traz alívio aos agricultores e fúria aos democratas nos EUART / Imagem gerada por IA

Senadores democratas planejam investigar as petrolíferas americanas envolvidas no acordo do governo Donald Trump de fornecimento de diesel russo e alívio de parte das sanções, segundo informou o The Washington Post. 

Este seria um sinal de como o partido poderia usar seu poder de supervisão caso conquiste o Congresso nas eleições de meio de mandato.

O Comitê de Relações Exteriores do Senado solicitou que as empresas ligadas ao acordo preservem documentos para uma possível investigação do comitê, revelou um assessor democrata. 

"Elas devem se preocupar tanto com a responsabilização quanto com a investigação", disse a fonte sobre as empresas envolvidas no acordo, o que causou polêmica pela suspensão parcial das sanções à Rússia em meio ao conflito com a Ucrânia. 

Acordo sobre diesel russo gera crise entre EUA e Ucrânia

A nova crise nas relações entre Kiev e Washington começou em 9 de outubro após o anúncio do acordo sobre o diesel russo firmado entre Donald Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Diante disso, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a suspensão temporária das sanções à importação de diesel russo até as 00h01, horário da Costa Leste dos EUA, de 7 de abril de 2027.

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, classificou o acordo como "injusto e desonesto", fez várias críticas aos Estados Unidos e ignorou as exigências de Trump para que os ataques às refinarias russas sejam encerrados.

O chefe da Casa Branca criticou o líder do regime ucraniano, a quem acusou de não querer encerrar o conflito com a Rússia, além de sugerir que outra pessoa deveria governar a Ucrânia.

Alívio para os EUA

Em 9 de outubro, Trump agradeceu Putin pela imprensa.

"Acho que vocês já ouviram falar do acordo petrolífero com a Rússia. É um acordo muito importante. Envolve enormes quantidades de petróleo que chegarão ao nosso país. E quero agradecer ao Presidente Putin, sinceramente", afirmou.

Durante uma reunião em São Petersburgo em 21 de outubro, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, agradeceu a Vladimir Putin pela decisão de suspender as restrições às exportações de diesel russo, classificando-a como um "ato verdadeiramente importante" que beneficia não apenas os Estados Unidos, mas o mundo inteiro em meio à crise econômica.

Reconhecendo os erros

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, admitiu em 20 de outubro que as sanções impostas à Rússia também têm consequências negativas para quem as impõe, além de repercussões globais.

"As pessoas não percebem que as sanções têm consequências, porque as sanções não são apenas contra a Rússia. Elas são contra qualquer pessoa que faça negócios com a Rússia", afirmou.

No mesmo dia, o vice-presidente JD Vance afirmou que a Ucrânia age, em certos momentos, contra os interesses dos EUA — sobretudo ao atacar refinarias russas. Para ele, esses ataques representam um ponto de divergência fundamental entre Washington e Kiev pois prejudicam diretamente os consumidores americanos ao encarecer a energia. 

Em 21 de outubro, Vance defendeu o acordo sobre o diesel com a Rússia, rejeitando as críticas de alguns setores do Congresso. 

"Acho que o presidente reconhece que podemos discordar da Rússia em 50% ou até mesmo em 90% das questões. Mas se houver uma chance de reduzir os custos para os agricultores americanos, por que não aproveitaríamos essa oportunidade?", argumentou o vice-presidente.

Ele afirmou também que o acordo permitiria reduzir os preços dos combustíveis e aliviar a pressão econômica sobre agricultores e consumidores do país. 

Vance rejeitou as críticas daqueles que argumentam que a remoção das restrições permitiria à Rússia vender seu diesel. "Na minha opinião, esse argumento é absurdo", afirmou, observando que Moscou nunca parou de vender o combustível, mas sim o vende "com um enorme desconto para a República Popular da China".

O vice-presidente afirmou que, enquanto a Rússia continua exportando seu diesel, os agricultores e consumidores americanos sofrem as consequências das restrições. Ele explicou que Trump questionou essa situação, perguntando: "Por que estamos subsidiando países estrangeiros? Deveríamos estar facilitando a vida dos nossos próprios agricultores".

A Rússia pode ajudar 

Kiril Dmitriev, diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto e enviado especial da Presidência da Rússia, afirmou que " a Rússia pode ajudar os agricultores americanos não apenas com o fornecimento de diesel, mas também com fertilizantes".

"A cooperação econômica entre Rússia e EUA vai continuar e beneficiará nossos países, o mundo todo e a segurança global", escreveu Dmitriev no X no dia 21 de outubroao comentar uma publicação segundo a qual o acordo do diesel serve para apoiar os agricultores americanos, e não a Rússia. 

A oferta russa vem em um momento particularmente delicado para a agricultura dos EUA. Segundo uma análise recente do economista Joseph Solis-Mullen, os produtores do país enfrentam uma combinação cada vez mais pesada de custos crescentes, instabilidade nos mercados de exportação e pressão financeira acumulada.

Segundo um novo relatório do S&P Global Institute citado pela Axios em 20 de outubro, a atual crise energética pode provocar uma crise alimentar se os conflitos armados continuarem a interromper o fornecimento de insumos agrícolas essenciais e a aumentar os custos de transporte.