Pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, transformaram células sanguíneas de uma pessoa de 80 anos em células-tronco neurais com uma idade molecular inferior a 20 anos, revertendo mais de seis décadas de envelhecimento celular.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Aging Cell.
A descoberta não representa uma solução contra o envelhecimento, mas oferece um modelo de laboratório revolucionário para estudar como as células recuperam características juvenis.
Método revolucionário
A equipe do professor Oliver Brüstle, do Instituto de Neurobiologia Reconstrutiva do Hospital Universitário de Bonn, usou uma técnica de reprogramação direta que contorna uma etapa fundamental dos métodos convencionais.
Em vez de transformar inicialmente as células em células-tronco pluripotentes — processo rápido que dificulta a análise — os cientistas transformaram precursores de glóbulos vermelhos diretamente em células-tronco neurais, o que permitiu observar o rejuvenescimento gradual durante mais de 100 dias.
A descoberta gira em torno dos relógios epigenéticos, marcadores moleculares que estimam a idade biológica de uma célula por meio de modificações químicas no DNA que se acumulam ao longo do tempo. Ao serem reprogramadas, as células registraram a redução de aproximadamente 60 anos em sua idade molecular em apenas 50 dias.
"Como os relógios epigenéticos são reajustados lentamente ao longo de várias semanas, podemos usar esse modelo para investigar quais fatores e substâncias ativas aceleram ou retardam o processo de rejuvenescimento", explicou Brüstle.
Foco em doenças neurodegenerativas
As descobertas podem ser relevantes para doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, em que o envelhecimento é o principal fator de risco. Embora o estudo não sugira um tratamento para reverter os efeitos do envelhecimento em humanos, ele fornece aos cientistas uma ferramenta para melhor compreender os mecanismos biológicos do envelhecimento celular.