A biologia sintética, área de pesquisa impulsionada pela inteligência artificial, avança rapidamente, e logo os cientistas poderão criar células sintéticas — o que,segundo conselho editorial do The Economist, resultaria numa bioquímica "completamente antinatural".
Muitas moléculas orgânicas existem em duas formas assimétricas, comparáveis a uma mão direita e uma mão esquerda. Na natureza, os organismos geralmente contêm apenas uma dessas formas, mas uma célula artificial poderia incorporar a versão espelhada de uma molécula.
De acordo com os cientistas que estudam essa possibilidade, essas "antimoléculas" poderiam ter aplicações médicas extremamente valiosas.
No entanto a publicação alerta sobre as ameaças, observando que os sistemas imunológicos podem não reconhecer bactérias construídas com essa "vida espelho" — o que lhes permitiria se espalhar amplamente e serem altamente patogênicas.
Além disso, os vírus e as amebas predadoras que mantêm os patógenos naturais sob controle podem ser incapazes de combatê-las, o que traz o risco de essas bactérias causarem danos graves aos ecossistemas.
"Se a vida espelho escapasse de um laboratório, seria impossível recuperá-la", afirma a revista.
Medidas de resposta
A publicação propõe que os países com capacidade de pesquisa se comprometam a não financiar esses trabalhos, proíbam tanto no setor público quanto no privado agora e reforcem os mecanismos para detectar projetos clandestinos, antes que células sintéticas se tornem viáveis
Entre as medidas, o artigo menciona fortalecer o monitoramento e a notificação de pedidos suspeitos a fornecedores de bioquímicos, incluir solicitações de moléculas de "lateralidade oposta" junto com a filtragem atual de sequências de DNA e estabelecer barreiras em modelos públicos de IA para impedir usos voltados à bioquímica espelho.