
Anthropic monta laboratório de biologia nos EUA para realizar experimentos com IA

A Anthropic montou um laboratório para realizar experimentos físicos de biologia na região da Baía de San Francisco, nos Estados Unidos, e ampliar sua atuação em ciências da vida para além de avaliações feitas em computador. A informação foi publicada pela Reuters nesta sexta-feira (18).
A empresa também quer usar o Claude para orientar unidades robóticas na realização de experimentos científicos com intervenção humana limitada, segundo uma das fontes. Um porta-voz afirmou, porém, que supervisão e participação humanas são essenciais para a segurança.

Eric Kauderer-Abrams, chefe de ciências da vida da Anthropic, confirmou a existência do laboratório e disse que a empresa combina experimentos em instalações próprias com trabalhos feitos por parceiros externos. Um porta-voz esclareceu que o local não é destinado especificamente à descoberta de medicamentos.
"Acreditamos que, para fazer biologia, o teste final ainda é, e continuará sendo por algum tempo, o trabalho em um laboratório real", afirmou Kauderer-Abrams.
A Anthropic já havia anunciado que pretende realizar trabalhos pré-clínicos em áreas que empresas tradicionais não consideram financeiramente atraentes. Ciências da vida já estão entre as maiores áreas de investimento da companhia em número de funcionários e recursos, segundo Kauderer-Abrams.
A empresa também lançou o Claude Science e comprou a startup Coefficient Bio, aquisição que deve ajudar no desenvolvimento de ferramentas para medicamentos. Segundo relatos da imprensa citados pela Reuters, o negócio envolveu cerca de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) em ações.
Ambição e riscos
A Anthropic avalia que a inteligência artificial pode acelerar pesquisas sobre condições consideradas difíceis de tratar. As doenças específicas nas quais a empresa trabalha e o estágio dessas iniciativas, porém, ainda não estão claros.
A expansão ocorre enquanto pesquisadores da própria Anthropic alertam para riscos da tecnologia. Nas últimas duas semanas, alguns deles disseram que a IA poderia levar à extinção humana, e a empresa afirmou ter encontrado exemplos em que seus sistemas poderiam ter sido usados no desenvolvimento de armas biológicas.
"Em nosso trabalho em ciências da vida, estamos sempre equilibrando essas coisas", disse Kauderer-Abrams. Segundo ele, a empresa busca melhorar os modelos para acelerar o desenvolvimento de medicamentos e, ao mesmo tempo, limitar os riscos de sua utilização.
A Anthropic decidiu, por enquanto, não realizar testes clínicos e concentrar seus esforços em etapas anteriores do desenvolvimento. "Não estamos competindo com empresas farmacêuticas e de biotecnologia cujo negócio é levar medicamentos ao mercado", afirmou Kauderer-Abrams.

