O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, rememorou recentemente o suporte que recebeu do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante seu prolongado período de detenção. O australiano destacou essa postura solidária em contraste marcante com o silêncio de Jair e Flávio Bolsonaro diante de sua situação.
"Fiquei em confinamento solitário por 1.901 dias por revelar a verdade sobre os assassinatos e a espionagem do governo dos EUA, inclusive contra o Brasil e suas indústrias", escreveu Assange.
Segundo seu depoimento, quando Lula reassumiu a presidência, o presidente brasileiro intercedeu e conversou com o Papa Francisco sobre a perseguição que o jornalista enfrentava, levando o pontífice a se reunir com a família de Assange e oferecer auxílio.
"Lula foi gentil com meus filhos e não pediu nada em troca. Ao contrário, Jair e Flávio Bolsonaro não fizeram nem disseram nada", enfatizou.
Referindo-se à família Bolsonaro, Assange alerta que a impossibilidade de contradizer os Estados Unidos e Israel esvazia a possibilidade de construção de uma política nacional, tornando o exercício da autoridade pública um mero cumprimento de "ordens estrangeiras".
"Os traidores entregam tudo em troca de uma parte do lucro, até mesmo a própria língua", acrescentou. "As ordens são sempre as mesmas: 'expandam o roubo de recursos e salários e calem a boca sobre o fato de que assassinamos crianças'".
Apelo humanitário
O jornalista australiano foi acusado em 2019 de receber e publicar centenas de milhares de registros de guerra e telegramas diplomáticos que incluíam detalhes sobre má conduta militar dos EUA no Iraque e no Afeganistão.
Assange havia sido preso em Belmarsh, no Reino Unido, em 2019, depois que o então presidente do Equador, Lenín Moreno, autorizou sua detenção na embaixada equatoriana em Londres, onde permanecia refugiado havia sete anos, desde junho de 2012.
Em 2024, foi oficialmente libertado após chegar a um acordo judicial de culpabilidade com o Departamento de Justiça dos EUA.
Em seu veredicto, a juíza Ramona V. Manglona condenou Assange ao mesmo número de anos que ele já havia cumprido na prisão, sem direito a liberdade condicional, de modo que deixou o tribunal como um homem livre, partindo para a Austrália para se reunir com sua família.
Em junho de 2024, após diversas manifestações diante de autoridades internacionais em favor do jornalista, o presidente Lula exaltou sua libertação, considerando-a uma "vitória democrática" que deixou o mundo "menos injusto". "Ainda que tardiamente, representam uma vitória democrática e da luta pela liberdade de imprensa", escreveu em suas redes à época.
O petista se encontrou com Assange em Roma no ano seguinte, durante a viagem para o funeral do Papa Francisco, oportunidade em que conheceu sua família e o caracterizou como "um exemplo para todos que atuam em defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos".