O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, classificou como "terrível" a possibilidade de mudanças no Itamaraty inspiradas nas propostas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-chanceler reagiu à promessa de uma "faxina" no Ministério das Relações Exteriores caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições presidenciais.
"Não vejo risco [ao Itamaraty] porque eu acho que [Flávio] não vai ganhar. Mas, se fosse isso, ou se houvesse influência desse tipo de ideia, seria uma coisa terrível", afirmou Amorim.
Em setembro, Eduardo prometeu realizar uma "faxina" no Itamaraty e ameaçou retaliar diplomatas que, segundo sua avaliação, teriam "sabotado" o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. O ex-deputado afirmou ter mapeado embaixadores que ocuparam postos durante o governo Lula.
Eduardo também chegou a sugerir que poderia assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão. Em junho,Flávio afirmou que não havia conversado com Eduardo sobre uma possível nomeação.
Posteriormente, integrantes da campanha descartaram essa possibilidade, enquanto aliados do ex-deputado contestaram a avaliação. A disputa por cargos também envolve diferentes grupos que buscam espaço em um eventual governo de Flávio.
A discussão sobre possíveis reformas ocorre em meio à insatisfação de diplomatas com a progressão na carreira, atrasos nos reembolsos, dificuldades orçamentárias e falta de avanços em ações afirmativas de gênero e raciais dentro do Ministério das Relações Exteriores.
Amorim evitou comentar a gestão do ministro Mauro Vieira, mas elogiou o colega e defendeu a atuação do Itamaraty durante os governos petistas. O assessor destacou o aumento de concursos e do número de diplomatas na pasta, embora tenha reconhecido a existência de gargalos que dificultam a progressão profissional.