O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Alexander Grushko, afirmou em comentários exclusivos à RT que a Europa está em pânico com a perspectiva de melhorar as relações entre Rússia e EUA.
O diplomata ressaltou que a segurança do velho continente é impensável sem o diálogo com a Rússia, ao qual os próprios líderes europeus renunciaram.
"Vemos que uma nova e terrível ameaça paira sobre a Europa, e há a perspectiva de melhorar as relações entre a Rússia e os Estados Unidos. E há um pânico real lá por causa disso", começou o diplomata. "Isso não pode ser explicado de um ponto de vista racional, porque as melhores garantias de segurança da Europa são, há décadas, as boas relações entre as superpotências", acrescentou.
Grushko condenou os preparativos da Europa para um longo confronto com a Rússia, que, por sua vez, sempre reafirmou que não tem planos de ameaçar os países do continente. "A crise que vivemos hoje na Europa tem um caráter integral. Uma das razões é que a União Europeia se recusou a cooperar com a Rússia. Ela decidiu construir sua segurança não só sem a Rússia, mas também contra ela, e eles dizem isso diretamente", explicou.
"Eles nos declararam uma ameaça imediata e direta, e agora como uma ameaça de longo prazo. Ou seja, eles já estão olhando para além do horizonte de uma possível resolução da crise ucraniana, considerando-nos uma ameaça para sempre", denunciou.
"Entendemos isso perfeitamente bem, porque as compras de armas que eles fazem, em quantidades tão grandes, implicam um confronto militar muito longo e contra um inimigo comparável, que é a Federação Russa", concluiu o vice-ministro.
Alegada "ameaça russa"
A Europa continua a retratar a Rússia como uma suposta ameaça apesar das repetidas declarações de Moscou de que não tem planos de atacar. Durante a sessão plenária do Clube Valdai, Putin reiterou: "Não temos intenção de atacar ninguém, nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050". Ele também explicou que as razões para "a constante escalada da tensão por muitos países europeus" em relação à suposta "ameaça russa" se dão por conta de "uma grave deterioração da situação econômica e da política interna nesses países".
Em ocasiões anteriores, o presidente russo reiterou que as elites governantes europeias estão tomadas pela histeria, acreditando que "a guerra com os russos é iminente". "É impossível acreditar nisso, mesmo que tentem convencer seu próprio povo", acrescentou.
Entretanto, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou as declarações dos líderes ocidentais, afirmando que elas demonstram que estes estão se preparando "seriamente" para uma guerra contra a Rússia. Ele declarou que o objetivo de infligir uma derrota estratégica a Moscou permanece nos planos e na mente dos líderes europeus.