
Enviado de Putin explica por que a Europa está tentando criar uma imagem da Rússia como 'espantalho'

A Europa está tentando retratar a Rússia como um "espantalho" para desviar a atenção de seus próprios problemas, declarou Kirill Dmitriev, Diretor Geral do Fundo Russo de Investimento Direto e Enviado Especial da Presidência Russa na sessão de abertura do Fórum Econômico Eurasiático de Verona, em Istambul.
"A Europa realmente precisa de ajuda", afirmou Dmitriev, aludindo aos problemas de migração e energia que a região enfrenta. "Vemos a Europa usando a Rússia como um espantalho para desviar a atenção de problemas muito mais fundamentais", enfatizou.

O principal problema dessa abordagem não afeta tanto a Rússia quanto os próprios políticos europeus, destaca Dmitriev, denunciando que os líderes do continente vivem imersos "nessas mentiras e nessa distorção da realidade" que os impedem de reconhecer e corrigir seus erros.
"Quando você é um político europeu e acha que está fazendo tudo certo, que todos os problemas são culpa da Rússia, enquanto você tem altos custos de energia e alta imigração, você nem sequer quer corrigir seus erros", argumentou. Ele também criticou a mídia por apoiar as autoridades europeias em vez de questionar suas decisões.
Dmitriev antecipou possíveis mudanças em alguns governos europeus e enfatizou que cada vez mais líderes reconhecem a necessidade de restabelecer um diálogo com Moscou. "Muitos líderes europeus estão dizendo: 'Ok, vamos conversar com a Rússia', e isso representa uma grande mudança", observou. "Acredito que a cooperação econômica com a Rússia será inevitável", concluiu.
Existe uma "ameaça russa"?
Durante uma sessão plenária do Clube Valdai na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que "a Rússia não vai atacar ninguém nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050".
O presidente russo explicou as razões da "constante escalada de tensão por parte de muitos países europeus" em relação à suposta ameaça russa.
"Isso se deve a uma grave deterioração da situação econômica e de política interna nesses países", sustentou.
"Vejam o que está acontecendo com a economia, vejam o que acontece com a política social e com o nível de vida dos cidadãos dos principais Estados europeus. Nessas circunstâncias, eles precisam urgentemente desviar o foco de atenção de seus cidadãos dos problemas internos para problemas de caráter externo", acrescentou Putin.
Ao comentar as declarações do chefe da inteligência alemã sobre um possível conflito armado, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, as classificou como "absolutamente infundadas".
"Isso é, por assim dizer, um recurso informativo: a criação artificial de um inimigo efêmero para justificar os gastos de militarização em que está incorrendo a República Federal da Alemanha", afirmou Peskov.

