Um grupo de bispos da Igreja Católica divulgou uma carta aberta sobre o segundo turno das eleições no Brasil, na qual criticam a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e convocam eleitores a votarem.
Sem citar diretamente o senador, os líderes religiosos afirmaram querer "auxiliar os católicos em sua decisão, apontando alguns pontos de antagonismo entre o ensinamento social da Igreja e uma das candidaturas em disputa". Ao mencionar o papa Leão XIV, defenderam que o momento atual "exige tomar posição em nome do Santo Evangelho e da Doutrina Social da Igreja (DSI)".
Para os bispos, "uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum".
"Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças", acrescentaram.
O documento reconhece que a candidatura deLuiz Inácio Lula da Silva (PT) "esteja sujeita a críticas", porém argumenta que o atual presidente "sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática".
"Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja", sustentaram.
Os bispos concluíram que, neste nomento, "não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro". Assim, conclamaram os católicos a votarem "em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja".
Até às 23h07 de 22 de outubro, 47 bispos de todas as regiões do Brasil assinaram o documento. Confira o documento na íntegra clicando aqui.
CNBB também se pronuncia
Às vésperas do segundo turno, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também divulgou uma nota sobre as eleições, encorajando a "participação consciente de todos" no pleito. A entidade convidou eleitores a "considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo".
A CNBB defendeu que o desenvolvimento do Brasil, "como país soberano", deve assegurar "vida digna e justa a todos e oportunidades às novas gerações". Para isso, ressaltou a necessidade de "trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade", além do cuidado com o meio ambiente, a garantia dos direitos humanos e a promoção da paz.
A entidade reafirma ainda a "importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam".
"Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz", concluiu o documento.