Próximo à fronteira brasileira, EUA e Paraguai aprofundam cooperação em segurança regional

Tratados incluem interceptação de aeronaves suspeitas, sistema biométrico PISCES e US$ 11,75 milhões em assistência para combate ao narcotráfico e terrorismo.

O governo dos Estados Unidos e o Paraguai firmaram novos acordos de cooperação em segurança e investimentos durante visita do vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, a Assunção, divulgados pelo Departamento de Estado dos EUA.

Os compromissos incluem vigilância aérea contra narcotráfico, controle migratório, investimentos privados de até US$ 12 milhões e assistência bilateral de quase US$ 12 milhões, segundo comunicado oficial do Departamento de Estado, para além da utilização de Itaipu no fornecimento de energia para data centers americanos.

Os documentos foram assinados pelo chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano e por Landau durante encontros com o presidente Santiago Peña. Entre os acordos, na área de segurança, está o de Assistência para Interceptação Aérea, que fortalece a capacidade paraguaia de monitorar voos suspeitos de narcotráfico.

O segundo prevê o fornecimento do sistema PISCES, plataforma norte-americana de identificação biométrica de passageiros utilizada em fronteiras.

A cooperação também contempla a criação do primeiro escritório regional do Bureau de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) em Assunção, que funcionará como hub para o Cone Sul, e o envio de um assessor de contraterrorismo à capital paraguaia. O governo americano destinou ainda US$ 5,5 milhões para combate ao financiamento do terrorismo e US$ 6,25 milhões voltados ao crime organizado transnacional.

O acordo também habilita empresas americanas a exportar equipamentos e materiais nucleares civis significativos para o Paraguai, no âmbito de cooperação para uso pacífico da energia nuclear.

Militarização americana na região

Os novos compromissos sucedem o Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA), assinado em dezembro de 2025 e aprovado pelo Congresso paraguaio em março de 2026 através da Lei nº 7.630.

O tratado estabelece condições para presença temporária de militares e civis americanos, concedendo-lhes imunidades diplomáticas e permitindo que o governo dos EUA exerça jurisdição penal sobre seu pessoal em território paraguaio.

O assessor especial da Presidência brasileira, Celso Amorim, manifestou em agosto de 2026 preocupação com a ampliação militar americana na região.

A movimentação um mês após o governo dos Estados Unidos subir para nível 4 — o mais alto de sua escala de alertas — a recomendação para que cidadãos norte-americanos não viajem à faixa de 160 quilômetros das fronteiras do Brasil com Paraguai e Bolívia.

A classificação, atualizada em agosto de 2026, afeta cidades como Corumbá, Ponta Porã e outras em Mato Grosso do Sul, citando riscos de crime organizado, narcotráfico e sequestros.