A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não se opõe às condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a divulgação de sigilos bancários, fiscais e eletrônicos. A informação foi publicada pelo portal g1.
A resposta será protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h de quinta-feira (22). O coordenador político da campanha, senador Camilo Santana (PT-CE), classificou as exigências feitas pelo adversário como uma "manobra" e reiterou que Lula mantém o desafio para a abertura dos dados.
"Todas as condicionantes, a única resposta é que o presidente não se opõe em absolutamente nada que ele colocou, contanto que ele faça", declarou Santana.
O coordenador também cobrou que Flávio cumpra a proposta apresentada pelo petista. Segundo ele, o prazo para que o candidato do PL compareça ao TSE também termina nesta quinta-feira (22).
Disputa dos sigilos
O impasse começou após Lula protocolar no TSE uma petição autorizando a divulgação de seus sigilos e dos de familiares referentes aos últimos oito anos, desde que Flávio Bolsonaro também permita a abertura dos próprios dados e dos de parentes e empresas ligadas a ele.
Em resposta, Flávio condicionou sua autorização à divulgação de informações sobre empresas de familiares de Lula, assessores próximos, gastos do cartão corporativo da Presidência e registros de visitantes do Palácio do Planalto.
Entre as exigências estão dados de empresas ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e informações sobre uma reunião entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, realizada em dezembro de 2024.
O senador também pediu esclarecimentos sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de seus acessos a palácios presidenciais e voos da Força Aérea Brasileira (FAB), além da abertura do sigilo de Frei Chico, irmão de Lula.
A proposta de Lula, por sua vez, inclui a divulgação de dados de familiares de Flávio, como Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, e de empresas relacionadas ao senador, entre elas a Alcazar Holdings.
Preocupação com a Meta
A campanha de Lula também anunciou que apresentará nesta quarta-feira (21) representações contra a Meta* à Justiça Eleitoral, diante de preocupações com a atuação da empresa durante o período eleitoral.
O anúncio ocorreu após uma reunião entre representantes da plataforma e o TSE na terça-feira (20). O ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, afirmou que a campanha não aceitará interferências da empresa no processo eleitoral.
"A Meta é motivo de grande preocupação para a gente e para o mundo democrático. Não vamos aceitar esse tipo de interferência, esse tipo de coisa", declarou.
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.